A frase do título desse texto é do deputado federal Elvino Bohn Gass, do PT gaúcho, autor de um artigo em resposta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que usou as redes sociais para sugerir que a presidente Dilma Rousseff renuncie como um “gesto de grandeza”.

FHC também reuniu Geraldo Alckmin e Aécio Neves para defender a unificação do pensamento das lideranças do partido. O governador é contrário ao impeachment, o senador é a favor. Ambos disputam quem vai o candidato a presidente em 2018 pela sigla.

Outro cacique da sigla e postulante na disputa presidencial, o senador José Serra, aposta que a presidente não conclui o mandato. Por outro lado, tem um monte de gente do PSDB, caso do economista e ex-ministro de FHC, que defende um Pacto de governabilidade.

O fato concreto é que a tese de impeachment, por exemplo, só teria chance de prosperar caso o PMDB mudasse de lado no Congresso Nacional, o que é dificílimo de ocorrer. Aliás, uma ruptura na regra do jogo traria conflitos inimagináveis, desestabilização perdas econômicas e financeiras e, certamente, conflito.

Voltando ao texto do deputado federal Elvino, ele chama o ex-presidente de arrogante, e  diz que no tempo dele “as pesquisas mostravam índices também muito ruins de popularidade. E que nem por isso ele renunciou ou veio a público admitir erros. Deveria lembrar-se que a inflação era maior do que agora. E que nem por isso ele deixou o governo ou admitiu sua incompetência. Que a taxa de juros era o dobro da atual...” e assim segue.

Vale a pena ler, abaixo, um outro ponto de vista:

Quem não é mais presidente é você, Fernando Henrique

Do alto de sua arrogância, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou uma rede social para dizer que a presidenta Dilma deveria renunciar ou admitir seus erros. Conviria que ele se desse ao respeito e não maculasse ainda mais sua já tão enodoada participação na política do Brasil.

Pois FHC deveria lembrar-se que no seu tempo as pesquisas mostravam índices também muito ruins de popularidade. E que nem por isso ele renunciou ou veio a público admitir erros. Deveria lembrar-se que a inflação era maior do que agora. E que nem por isso ele deixou o governo ou admitiu sua incompetência. Que a taxa de juros era o dobro da atual. E que nem por isso ele pediu para sair ou fez um mea culpa.

Então, FHC não tem autoridade moral – que é conferida, entre outros requisitos, pela coerência – para aconselhar uma presidenta como Dilma, eleita legitimamente pelas urnas. Mas não deixa de ser lamentável que o outrora príncipe da sociologia produza, agora, oportunismos tão baratos a fazer dele um exemplar típico de conselheiro Acácio do ano 2015.

FHC já nem sequer escolhe os termos mais adequados para sua crítica, como conviria a um intelectual, mas reproduz sem qualquer constrangimento palavras de ordem de misóginos e xenófobos que desfilam com cartazes pedindo a volta da ditadura e o extermínio de seres humanos. Há quem veja nisso, não sem boa dose de razão, um exemplo acabado de decadência.

Sim, é a hipocrisia quem costura a manifestação do ex-presidente tucano ao tentar justificar suas observações por conta das “falcatruas do lulopetismo”... Ora, nem Lobão seria tão superficial, sorrateiro ou medíocre. De quê falcatruas fala FHC? Dos desvios na Petrobras, que até os delatores disseram ter começado... no governo dele? Do financiamento de campanhas por empreiteiras que doaram os mesmos milhões... ao candidato dele? Estaria se referindo às palestras pagas por empresas a Lula que, ora vejam, valem mais do que as dele no mercado de conferências?

O cavaleiro de triste figura em que FHC se transformou deveria, ao menos, lembrar que nem Lula nem Dilma compraram suas reeleições. Eles as conquistaram nas urnas. E quanto a sua solerte tentativa de invocar as palavras de Ulysses Guimarães dirigidas a Collor (“você pensa que é presidente, mas já não é mais”), redirecionando-as à Dilma, tenho a dizer: Dilma não pensa que é, ela é, e será até 2018, a presidenta legítima do Brasil. Quem parece que pensa que ainda é presidente mas não é mais, é você, Fernando Henrique.