O deputado Galba Novaes (PRB) irá apresentar um Projeto de Lei para a emancipação do bairro Tabuleiro do Martins, que passaria a se chamar "Planalto da Fraternidade". O PL será baseado no requerimento encaminhado ao Poder Legislativo em 2001, há 14 anos, quando Novaes era vereador por Maceió.

O parlamentar falou sobre o assunto, que voltou à tona com o fim do impedimento para a criação de novos municípios brasileiros, em pronunciamento na sessão desta terça-feira, 18, na tribuna da Assembleia Legislativa (ALE).

Ele afirmou que o Tabuleiro é responsável por 1/3 da arrecadação de Maceió, mas só recebe, como retorno, 0,4% dos investimentos. "Lá temos o Hospital Universitário, a Ufal, o Distrito Industrial, 75 postos de combustíveis, dois cemitérios particulares e a maior arrecadação de ICMS, com 300 mil habitantes e 158 mil eleitores", elencou, acrescentando que o êxodo rural em Maceió institucionalizou as favelas no Tabuleiro. Segundo ele, hoje são 80.

Galba lembrou ainda que, na época que a proposta foi apresentada, ela recebeu parecer favorável do então procurador do Estado, Humberto Martins, hoje ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em entrevista à imprensa ao final da sessão, o deputado destacou que, caso seja emancipado, o Tabuleiro será o município mais rico de Alagoas. "Ele não seria criado para sobrecarregar o Estado, mas para contemplar seus cidadãos na hora dos repasses. O Tabuleiro é a região mais rica e a menos beneficiada da capital. Todas as favelas de Maceió foram institucionalizadas lá”, afirmou, lembrando que o caminho para que um bairro se transforme em município não é tão simples e envolve a realização de plebiscito e estudos de impacto sócio-econômico.

Reclamação

O deputado Francisco Tenório criticou a duração do pronunciamento de Galba Novaes. “Esse painel deve ter custado algum dinheiro para a Assembleia, então deve ter alguma serventia”, alfinetou, se referindo ao painel eletrônico que deveria controlar o tempo regimental de cada parlamentar na tribuna.

Tenório lembrou que o colega usou 30 ao invés dos 15 minutos permitidos na hora do expediente, sendo parte desse tempo destinado à leitura de um artigo publicado em um jornal de circulação nacional que classifica a população brasileira de “corrupta”: “Pode espernear, ficar com raiva, mas não vou ficar aturando Galba lendo artigo de jornal na tribuna”, disse Tenório.

Em resposta, Galba disse que as críticas são sempre direcionadas a ele, embora outros deputados extrapolem o tempo dos discursos, e pediu que o presidente da Casa, Luiz Dantas (PMDB) não permitisse mais as críticas de Tenório.