Com um novo período político se aproximando, a eleição para prefeito e vereador, por todo Brasil, em 2016, começam a surgir nomes, propostas e rivalidades. Em Arapiraca, o grupo político formado pelo vice-governador Luciano Barbosa (PMDB) e a prefeita Célia Rocha (PTB), terá um adversário ferrenho na disputa. Antes parceiro, hoje oposição, o empresário Adoniran Guerra, já deixou claro que será candidato a prefeito da segunda maior cidade de Alagoas e dispara críticas contra a atual gestão.
Guerra já foi vereador, deputado estadual, diretor do Detran, superintendente da SMTT em Arapiraca, além de ocupar pastas no município. Após 12 anos longe de cargos públicos, se dedicando ao setor empresarial, ligado a fundos internacionais e atraindo investimentos para a “Capital do Agreste”, entre eles o “Arapiraca Garden Shopping”, o agora pré-candidato volta ao cenário político para acabar com o “balcão de negócios” que se tornou o município, como ele afirma em entrevista exclusiva ao CadaMinuto.
CM: O senhor vem de família tradicional, já foi vereador, deputado e ocupou vários cargos públicos em Arapiraca. Depois de 12 anos, porque voltar ao cenário político, logo como candidato a prefeito e oposição à atual gestão?
Pela situação geográfica, pelo povo empreendedor, Arapiraca vem sendo referência de desenvolvimento no país. Mas, é fato que essa ascensão virou um declínio, diante desse governo desencontrado da prefeita Célia Rocha. A cidade, a população sofre com problemas na saúde, educação, assistência social, mobilidade urbana. Tudo em Arapiraca virou problema. O povo cansou disso. Seja comigo ou com outro nome mais forte, Arapiraca precisa mudar urgente.
CM: O agora pré-candidato Adoniran Guerra já foi aliado político do grupo, votou em Luciano Barbosa e Célia Rocha nas últimas eleições e hoje é oposição. Se arrepende de ter votado e porque decidiu ser rival político?
Não me arrependo. Votei porque achei que a bagagem política da ex-deputada e prefeita Célia Rocha fosse pesar nessa gestão. Mas, o que estamos vendo é uma gestora perdida. Na verdade, o que posso apontar como principal problema, é que a prefeita perdeu a vontade, o amor, o tesão por governar a sua cidade. Quando isso acontece, o resultado é esse que estamos vendo. Arapiraca estagnada.
CM: Em Arapiraca, um time de futebol é considerado assunto político, uma vez que é um patrimônio da cidade. O ASA vem representando bem a cidade nas quatro linhas, mas fora dele, sofre com problemas financeiros, muitos deles apontados pela ausência do apoio da prefeitura. Como classifica essa situação, diante de um problema geral que vive a cidade?
Se o ASA tiver 100 torcedores fieis, eu sou um deles. Venho ajudando o time há tempo, inclusive no título alagoano de 2000, que foi a virada do clube para ser um dos maiores de Alagoas. Com relação a gestão atual, eu não posso pedir para deixar de repassar para educação e saúde, pra transferir para o ASA. Tudo é prioridade em Arapiraca, mas, assim como outros setores merecem grande atenção, o ASA também merece. Nada, nem ninguém, representa a cidade de Arapiraca como o ASA.
CM: Ainda como pré-candidato, já definiu estratégias para mudar este cenário que o senhor está apontado como alarmante?
Gerir uma cidade como Arapiraca não é fácil, tenho plena consciência disso. Mas, acho que no atual cenário, não há mais o que fazer. Foram 20 anos desse mesmo grupo. O que tinha de fazer já foi feito. Uma coisa que sempre falo, é que não se pode governar uma cidade ou Estado, esperando, ficando acomodado com repasses federais. É preciso ter criatividade, ter vontade, atrair empreendimentos como indústrias, moradias e valorizar o comércio. Uma coisa que tenho visto, é a baixa estima do povo arapiraquense. Aquele povo que se orgulhava do desenvolvimento da cidade, agora lamenta a atual situação.
CM: Antes aliado, hoje oposição. Como o grupo político, liderado por Luciano Barbosa e Célia Rocha tem recebido este momento. O senhor é empresário antes de ser candidato. Existe algum tipo de relação?
Eles não aceitam, simplesmente porque querem se perpetuar no cargo. De um para o outro, de pai para filho, de compadre para comadre e assim vai. Esse grupo tem sido nocivo para Arapiraca. Para se ter ideia, em eleições passadas, cada um deles apoia e pede votos para candidatos a deputado, mas hoje não temos um representante sequer em Brasília. Isso é inadmissível. Esse grupo usa Arapiraca como balcão de negócios. Enquanto isso, Arapiraca afundada na crise.
CM: Recentemente, matérias jornalísticas fazem críticas sobre o seu patrimônio e estilo de vida. Como o senhor avalia essa situação. Algum tipo de rejeição da população ou ataque político?
Não há como ser rejeição. Minha família é tradicional e respeitada no município. Meus bens são todos declarados, há 12 anos não vivo do serviço público. Tudo o que tenho, é fruto do meu suor. Gosto de viajar, gosto de comer, ouvir e beber coisas boas, e isso não vou mudar. Qualquer rival político não terá o que falar do meu passado, seja pessoal ou político. Não quero tratar do quintal ou da sala de ninguém. Vou debater sim, mas no campo das ideias. Me causará surpresa se depois de 20 anos de poder em Arapiraca, este grupo vier questionar coisas pequenas, futricas.
