A matéria de capa da última edição do CadaMinuto Press estampou a manchete “Juventude negra alagoana: Sob a mira do descaso”, com base na denúncia do deputado federal Paulão (PT), membro da CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres, conhecida como CPI Jovem. O parlamentar expôs um cenário de descaso dos poderes instituídos alagoanos, acerca de requerimentos feitos pela comissão parlamentar de inquérito e que não teriam sido respondidos.

No bojo da matéria, o deputado Paulão afirma que “lamentavelmente e para tristeza maior, o Ministério Público também não encaminhou uma linha sequer do que foi requerido. Essa é uma questão emblemática porque o MP é uma instituição de fiscalização e defesa aos direitos da sociedade”. E mais, o deputado sugeriu que, por não se tratar de vítimas endinheiradas, o MP não teria interesse no tema.

“O foco da CPI era a violência contra jovens negros e pobres e as autoridades alagoanas não tiveram a devida atenção. Com toda certeza seria diferente se as vítimas fossem brancas e estivessem inseridas nas classes mais abastadas”, concluiu o deputado.

Diante do exíguo tempo entre o contato da reportagem e o fechamento da edição, a resposta do Procurador-geral de Justiça, assim como da assessoria da Prefeitura de Maceió, não chegaram em tempo. Mas Sérgio Jucá, representante do Ministério Público Estadual (MP) procurou a reportagem para “restituir a verdade dos fatos”. Jucá afirmou “peremptoriamente que não recebeu qualquer correspondência da CPI”.

Sérgio Jucá disse também que o deputado Paulão mentiu, falseou com a verdade e que pode ter agido por irresponsabilidade, mas também por mágoa e ressentimento com o MP. “Ele tem que provar que esta solicitação veio ao Ministério Público. Em nenhum momento a CPI procurou o Ministério Público Estadual. Jamais chegou à esfera da Procuradoria-geral de Justiça solicitação neste sentido”, afirmou indignado Jucá.

O procurador-geral de Justiça desafiou o deputado a provar que o requerimento chegou ao conhecimento do MP. “É mentira! Eu desafio a qualquer membro da CPI, especialmente ao deputado Paulão a fazer prova de que esta solicitação foi recebida pelo MP. Pode até ter sido encaminhada, mas jamais essa solicitação veio ao MP. O deputado Paulão falseia a verdade”.

“Jamais o MP, na minha gestão ou em qualquer outra, deixou de prestar informações. Ele falseia a verdade. A matéria fala meu nome várias vezes e em momento nenhum isso veio à Procuradoria-geral de Justiça. E chama a atenção que este seja um requerimento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Afirmo peremptoriamente, o deputado Paulão mentiu e falseou a verdade”, reafirmou.

Profundamente indignado, Jucá frisou que seu trabalho, enquanto membro do MP é lutar contra injustiças e fazer valer o interesse da sociedade, mas que não compreende por que o deputado imputou ao MP tamanha mentira. “Eu luto contra injustiças e ser vítima de uma injustiça?! Ainda mais grave, uma injustiça cometida por um deputado federal”.

“Posso usar o linguajar forte, mas no estrito cumprimento do dever legal”, justificou-se. E completou: “Eu não respeito um deputado mentiroso, que falseia a verdade, em busca de notícia fácil. O deputado Paulão não agiu de boa fé. Se ele é membro da CPI, ele tem acesso direto à secretaria, que controla remessa de expedientes e chegada desses expedientes aos destinatários, principalmente sobre os requerimentos que ele mesmo foi o autor”.

Sobre a insinuação que Paulão fez sobre a condição das vítimas negras e pobres, que seria esta a causa da alegada omissão do MP ao suposto requerimento formulado pela CPI Jovem, Sérgio Jucá achou ainda mais inadmissível. “O MP não faz distinção entre negro e branco ou entre rico e pobre, se fosse assim não viríamos processando esses deputados. o MP só investe aqui contra “trombadão”, não é “trombadinha” não”.

Jucá menciona ainda que as críticas vieram de um deputado condenado por improbidade administrativa, implicado na operação taturana. “Agora fazer uma crítica destituída de fundamento ao Ministério Público mostra irresponsabilidade ou mágoa e ressentimento com o MP, porque o MP o condenou por improbidade administrativa no célebre processo da Operação Taturana”.

E finaliza: “E o trabalho silencioso que o MP faz diuturnamente? Em favor dos humildes, dos excluídos, dos que são invisíveis perante a sociedade? O MP não faz distinção, jamais atua seletivamente”.

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