Em reportagem de Candice Almeida para a última edição do jornal CadaMinuto Press, o prefeito Rui Palmeira (PSDB) e o ex-prefeito e deputado federal Cícero Almeida (PRTB) comentam os primeiros movimentos partidários em torno da sucessão de 2016. Cada um ao seu jeito, expõem posicionamentos contraditórios com a realidade imposta pela conjuntura pré-eleitoral. Enquanto Almeida nega ser pré-candidato, mas se apressa em expor acordo com o senador Renan Calheiros que legitimariam sua candidatura com o apoio do PMDB; o pré-candidato natural Rui Palmeira diz que é cedo para avaliar as consequências eleitorais de sua aproximação do PMDB, via governador Renan Filho.
Com mais da metade do corpo para fora do PRTB, Almeida testa o interesse do PMDB e de seu eleitorado, ao não admitir interesse em voltar à Prefeitura de Maceió se não for “a vontade do povo” e, numa mesma entrevista, expor que “há um compromisso do senador Renan Calheiros”, que teria sido firmado para que ele fosse o candidato a prefeito a ser apoiado pelo partido do governador e do presidente do Senado. Finaliza dizendo que a retribuição de seus apoios ao clã Calheiros “não pode ser diferente”.
“Esse compromisso foi feito entre eu, ele [senador Renan Calheiros], Fábio Farias [chefe do Gabinete Civil do Estado] e Mosart Amaral [secretário de Estado dos Transportes e Desenvolvimento Urbano], na casa de Mosart. Se será cumprido, eu não sei, mas há esse compromisso entre nós. Eu não posso falar por eles. Sou parceiro político dele [Renan], não só nas eleições dele como senador, mas também nas eleições do filho dele para governador, então não pode ser diferente”, disse Almeida ao CadaMinuto Press.
Enquanto Almeida rema em busca de um novo partido e na direção de aliados que já lhe viraram as costa para seu sonho de governar Alagoas desde 2010, Rui Palmeira prefere dizer que é cedo para se ter alguma noção a respeito de um eventual apoio do PMDB em 2016. Dois anos depois de ter feito campanha contra a eleição de Renan Filho, o prefeito traduz a proximidade do partido dos Calheiros como institucional. Mas deixa aberto que esta é a leitura que se pode ter, por enquanto.
“A gente está buscando uma aproximação institucional, então nas vezes em que nos encontramos não falamos em parceria político-partidária, pelo menos não neste momento. Falamos sobre questões inerentes à cidade de Maceió. O momento certo para isso vai chegar, vai haver este debate. Mas acho que é cedo para entrarmos neste debate se o PMDB poderia me apoiar ou não”, concluiu Rui, diante dos questionamentos de Candice Almeida.
A mímica destes primeiros movimentos político-partidários deixa o eleitor à vontade para as interpretações. O Blog também prefere deixar o leitor fazer sua leitura. Afinal, assim como na Sétima Arte, na política, o roteiro da trama nem sempre leva o espectador às mesmas emoções. Depende muito do repertório de informações e da vivência de cada um que assiste às cenas.
Mas é bom lembrar que só ganha o “Oscar eleitoral” a melhor produção. Seja qual for o espírito do filme – comédia, drama ou terror oferecido ao eleitor –, os rumos do marketing político ainda são decisivos para este gênero eleitoral. Neste longa-metragem, o personagem sempre é mais importante do que seus atores. Já a plateia é facilmente influenciável.
Ação!
