Contrariando a torcida de muitos e a confiança de poucos, parece seguir inabalada a fé da ex-prefeita de Piranhas, Mellina Freitas (PMDB), de que permanecerá livre da espada da Justiça e da caneta do governador Renan Filho (PMDB), apesar do avanço do cerco do Ministério Público Estadual (MP) em direção à apuração do que foi considerado pelo Judiciário como “fortes indícios” de seu envolvimento nos desvios de R$ 16 milhões do município.

À Gazeta de Alagoas, Mellina afirmou que “vai continuar seu trabalho com correção e transparência” como secretária da Cultura do governo de Renan Filho (PMDB), no mesmo dia em que o Blog divulgou em primeira mão a decisão judicial que bloqueou bens e quebrou sigilos bancários dela e de mais 12 réus em ação de improbidade administrativa.

Em entrevista à jornalista Fátima Almeida, publicada na edição desta quarta-feira (8) da Gazeta de Alagoas, a filha do desembargador-presidente do Tribunal Justiça de Alagoas (TJ), Washington Luiz Damasceno Freitas, praticamente comemora o fato de não ter sido afastada do cargo de secretária de Estado, como solicitou a promotora Adriana Acioly, no agravo de instrumento objeto da liminar do desembargador Domingos de Araújo Lima Neto. E ainda disse que “espera que nada alheio às suas atividades exercidas atualmente possa atrapalhar esse trabalho”.

Ao afirmar que respeita a decisão do desembargador, Mellina afirmou ser principal interessada em que o processo seja finalizado, “com legalidade, transparência e justiça”. E divagou sobre o óbvio, falando que existe uma denúncia sendo apurada, que cabe a ela respeitar, e que a gestão pública é “muito fiscalizada” no Brasil tendo como alvo ela e vários gestores, como deve ser.

“Vou aguardar com confiança de que, ao final, eu possa comprovar, na Justiça, que não devo”, falou Mellina à Gazeta.

Acreditar ou não em tanta confiança de Mellina caberá ao alagoano. Mas o certo é que os escândalos recorrentes da filha do presidente do TJ está custando a ainda custará muito caro ao governo e ao futuro político de Renan Filho, independentemente do desfecho deste caso.

Se Mellina seguir indisposta a entregar o cargo, sem um acordo com o desembargador mais político do Judiciário de Alagoas, a ex-prefeita acusada pelo MP de chefiar quadrilha e de cometer 483 crimes deve permanecer secretária até o último dia do governo de seu partido. Pois consolida a posição de secretária indemissível, pelo que representa no contexto político da gestão de Renan Filho. E ainda corre o risco de se eleger novamente prefeita de Piranhas, em 2016.

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