É incompreensível que o governo petista tenha dado guarida a um fugitivo da justiça italiana, garantindo a Cesare Battisti asilo político e honras de convidado ilustre, e descartado, ontem, ajuda da embaixada brasileira na Venezuela a uma comissão de senadores brasileiros que tentou conhecer de perto a situação dos presos políticos do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Muito menos compreensível, foram as piadas petistas nas redes sociais sobre o impedimento da missão dos senadores em Caracas.

Os deputados Sibá Machado (PT-AC) e Zeca Dirceu (PT-PR) foram uns dos que mais se divertiram no twitter em deboches sobre a presença dos senadores na Venezuela.

"Senadores tucanos e 'Demos' na Venezuela dizem que até agora o Maduro não os convidou para o almoço", escreveu Sibá em seu perfil no Twitter. Em outra postagem, ele menosprezou os presos políticos venezuelanos. "Encontro: golpistas do Brasil tentam conversar com os golpistas da Venezuela".

“Senadores brasileiros da oposição vão a Venezuela passear e fazer onda com dinheiro da população e se dão mal”, postou no twitter Zeca Dirceu, que é filho do ex-deputado José Dirceu, condenado no mensalão e investigado pela Lava Jato.

O que aconteceu ontem em Caracas foi um desrespeito à democracia e ao Brasil.

Não dá para tratar a prisão de pessoas por opiniões políticas, denunciada pela Anistia Internacional, como uma arenga eleitoral. Está longe disso e o Brasil bem o sabe. Durante 20 anos, o país sofreu na carne os efeitos de uma ditadura penosa.

Mesmo assim, a ditadura militar no Brasil não impediu que um senador fosse aos cárceres, conhecesse e conversasse com presos políticos, como fez Teotônio Brandão Vilela , nos anos 70.

Ao contrário de partidarizar a comitiva, o PT deveria se solidarizar, o governo punir o embaixador brasileiro em Caracas que abandonou os senadores à própria sorte, e cobrar do governo Maduro, no mínimo, uma retratação ao Brasil.

Além, claro, de adotar uma postura clara e pública contra a prisão política na Venezuela.

Já está mais do que na hora do governo brasileiro provar que não é um quintal da ditadura venezuelana de Maduro.

Ou, é?