A expressão "antes tarde do que nunca" parece não caber tão bem na atitude do governador Renan Filho (PMDB) de visitar o Hospital Geral do Estado (HGE), nesta terça-feira (26), após um colapso no abastecimento de medicamentos e suprimentos médicos. O problema que o leitor mais atento pode enxergar na "visita surpresa" do chefe do Executivo é a total ausência do "inesperado" no contexto dos acontecimentos.

Onde, por exemplo, estava o governador nos 145 dias anteriores ao absurdo desabastecimento, na principal unidade de emergência médica do Estado de Alagoas? Sem convocar imprensa desta vez, não se poderia acusar o governador de buscar os holofotes, no aspecto físico. Mas a metáfora continua válida para o resultado de sua visita: o estabelecimento de um prazo de 48 horas para a retomada do abastecimento.

Outro exemplo de expressão inadequada é o "tarda, mas não falha". Porque o prazo de 48 horas dado por Renan Filho para o reabastecimento da unidade que recebe pacientes de todo o Estado é quase nunca, para quem espera pela providência urgentíssima, ao dar entrada no HGE em estado grave de saúde.

"A saúde exige uma agilidade que o processo burocrático não tem. O HGE não está funcionando bem porque existem carências estruturais, o que se faz lá é o possível, mas o cidadão precisa bem mais do que isso”, declarou o governador. 

Para solucionar o problema, a secretária da Saúde, Rozangela Wyszomirska, "realiza estudos para identificar as necessidades dos hospitais regionais de pequeno e médio porte, que serão reestruturados". Uma solução para a superlotação do HGE.

Renan Filho e a secretária sabem muito bem quais são os motivos do desabastecimento. E também estão cientes de que “fazer o possível” é pouco, para quem luta pela sobrevivência em meio ao caos.