Uma comissão formada por oito vereadores arapiraquenses realizaram na manhã desta quinta-feira, 16, uma visita de inspeção ao Residencial Agreste localizado na antiga fazenda Sementeira próximo ao Campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em Arapiraca. Inaugurado pela prefeita Célia Rocha (PTB) e o então ministro das Cidades Gilberto Occhi em 27 de outubro de 2014, o conjunto apresenta uma série de irregularidades com foco nas invasões e depredação dos imóveis.
De acordo com o projeto, cada moradia tem orçamento estimando em R$ 48 mil e prestação referente a 5% da renda limitada a R$ 25,00 durante 120 meses. Foram investidos no empreendimento Residencial Agreste mais de R$ 47 milhões com o objetivo de beneficiar mais de 3.900 pessoas. As residências foram construídas pela Contrato Engenharia.
Foram constatadas no local, inúmeras invasões e depredação dos imóveis. Segundo relato dos moradores, os roubos de portas, vasos sanitários e pias ocorrem durante o dia. Os danos ocorrem nas residências que não foram ocupadas pelas pessoas sorteadas que tiveram prazo de 30 dias para ocuparem os imóveis e não ocuparam. De acordo com um invasor, identificado como Jorge Adriano Silva Souza, vigilante contratado da Prefeitura de Arapiraca alguns imóveis foram vendidos a preços que variam de três a oito mil reais.
Outro morador identificado como Cícero Magalhães, residente na Quadra Q, em uma casa que invadiu há oito meses, “muita gente foi contemplado com as casas e nunca apareceram para morar”. As maiores reclamações estão relacionadas aos critérios utilizados pela Prefeitura de Arapiraca para a entrega dos imóveis. Os moradores denunciam que alguns dos contemplados possuem imóveis em outros conjuntos residenciais.
Uma das denuncias graves constatada pela comissão de vereadores é de que pessoas estariam mantendo contatos com os invasores fazendo propostas para regularizar o imóvel junto a Prefeitura de Arapiraca. A maioria de casas depredadas são as destinadas aos deficientes físicos demonstrando que foram disponibilizados um grande número de imóveis para essas pessoas e não ocorreu a demanda, carecendo de uma redimensionamento.
As maiores reclamações
O maior volume de reclamações dos moradores do residencial Agreste está relacionado a falta de água. De acordo com informações dos moradores a caixa construída para atender o conjunto nunca foi abastecida pela Casal. O conjunto não dispõe de creche, escola e posto de saúde. A iluminação pública é deficiente e falta segurança pública. Os moradores reclamam da necessidade da realização de rondas durante o dia e principalmente no período noturno. Algumas calçadas do conjunto estão danificadas.
Para manter a segurança dos móveis os moradores pagam segurança particular de uma empresa que cobra R$ 20,00 por morador. Um policial aposentado que é o responsável por essa segurança assegurou que mantém dois vigilantes no horário noturno que realizam rondas motorizadas. A coleta do lixo é realizada duas vez por semana pela empresa Limpel e o conjunto dispõe de uma linha de ônibus da empresa Real Arapiraca.
Audiência pública
Após a visita de inspeção, ouvirem moradores os vereadores irão realizar uma audiência pública na Câmara Municipal com o objetivo de ouvir os integrantes dos órgãos responsáveis, no caso Caixa Econômica, secretario municipal de Ação Social, Ministério Público, comando do 3º Batalhão, Companhia de Água e Saneamento de Alagoas e comissão de moradores. Os vereadores que participaram da visita de inspeção foram; Moisés Machado, Edvânio do Zé Baixinho, Ronald Vital Rios, Gilvânia Barros, Sergio do Sindicato, Graça Lisboa, Fabiano Leão e Josias Albuquerque.

