Seis em cada dez (64,1%) das pessoas que estiveram na avenida Paulista no último domingo (12) para protestar contra o governo concordam com a afirmação de que o Partido dos Trabalhadores (PT), da presidente Dilma Rousseff, quer implantar o regime comunista no Brasil. Outros 29,9% não concordam com a afirmação. O restante não respondeu ou não sabe.

Os dados fazem parte de pesquisa divulgada nesta terça-feira (14) sobre o perfil dos manifestantes. O levantamento foi coordenado pela socióloga Esther Solano, da Unifesp, e pelo filósofo Pablo Ortellado, da USP. A equipe de pesquisa entrevistou 571 manifestantes, entre das 13h30 e às 17h30. A pesquisa tem margem de erro de 2,1% pontos para mais ou para menos.

A maior parte (85,3%) concorda com a frase “Os desvios da Petrobrás são o maior caso de corrupção da história do Brasil”. Apenas 11,7% não concordam com a afirmação.

Para mais da metade (60,4%), o Bolsa-Família, uma das maiores vitrines do governo Dilma e de seu antecessor Luis Inácio Lula da Silva, “só financia preguiçoso”. Os manifestantes também dizem acreditar que o PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que atua dentro e fora dos presídios do País, é “um braço armado do PT”. A afirmação recebeu a concordância de 53,2% dos entrevistados.

Confiança nos partidos

Quando questionados sobre os partidos políticos, 73,3% dos manifestantes  afirmaram que não confiam nessas instituições. Outros 25,2% disseram que confiam pouco nessas instituições e apenas 1,1% diz confiar. Entre os partidos com maior rejeição, ficou o PT, com 96%, seguido pelo PMDB, do vice-presidente Michel Temer, com 81,8%. O PSDB não inspira confiança para 47,6% dos entrevistados.

Sobre a confiança dos políticos, governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi o que recebeu a maior porcentagem de confiança. Segundo o levantamento, 29,1% dos manifestantes confiam muito e 41,5% confiam pouco.  Outros 28% disseram que não confiam nele.

O senador tucano Aécio Neves, derrotado pela atual presidente na última eleição, é considerado muito confiável por 22,6% dos manifestantes. Outros 48,3% dos entrevistados dizem que confiam pouco no político. Ainda de acordo com o levantamento, 28,4% dos manifestantes não confiam em Aécio.

Por outro lado, Lula e Dilma têm os piores índices de confiabilidade. Entre os manifestantes, 96,7% disseram não confiar na presidente, e 95,3% não confiam no antecessor dela. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e a ex-candidata a Presidência pelo Psol, Luciana Genro, também têm baixas taxas de confiabilidade: 87,6% e 74,3% dos manifestantes, respectivamente, dizem não confiar nos dois políticos. 

O deputado Jair Bolsonaro (ex-PP), segundo os manifestantes, é mais confiável que a ex-senadora Marina Silva, que ficou em terceiro lugar nas eleições passadas. De acordo com o levantamento, 19,4% dos manifestantes disseram confiar muito no deputado e 14,7%, na ex-senadora. 

Os manifestantes (57,8%) também confiam pouco na imprensa. Outros 21% disseram que confiam muito no setor e 20,8% disseram não confiar nada.