Nas últimas décadas a Assembleia Legislativa tem agido muito mais como uma representação de interesses particulares do que de uma efetiva representação do povo alagoano. Tem sido essencial na contribuição para que Alagoas permaneça na escuridão, no atraso.
Agora mesmo, lá estão os senhores deputados, desde o ano passado, sem decidir se matam ou deixam viver a 17ª Vara Criminal da Capital. Ela assusta e causa temor porque se sobreviver saudável investiga e pune suas excelências do crime organizado.
A atual Mesa Diretora tem prometido avançar. Divulgou uma reunião com representantes da Fundação Getúlio Vargas que pode ser contratada para fazer uma auditoria na folha. Isso é bom. No entanto, poderia ter avançado e instalado o ponto eletrônico, por exemplo.
Tem mais: é certo que a Mesa assumiu o comando com os salários dos servidores atrasados e os renegociou. Mas de uma forma que lembra o descaso com uma imensa pitada de maldade.
O salário de dezembro, de um mês de trabalho, será pago em 14 vezes. Acredite, leitor, o valor de um mês trabalhado foi dividido 14 vezes.
Por outro lado, parece que um grupo de parlamentares quer mudar algo. Para se aproximar do que determina a Lei de Acesso à Informação, foi iniciado todo o processo de modernização e informatização da Casa.
O pontapé inicial acontece nesta segunda-feira (13) com a implantação do Interlegis e a inauguração da Escola Legislativa.
Quem vem acompanhando diretamente é o primeiro secretário, deputado Isnaldo Bulhões (PDT). Ele, inclusive, postou em seu instagram fotos da recuperação das salas para mostrar como estavam e como vão ficar.
Essa iniciativa é um passo inicial para dar transparência ao permitir que os projetos, indicações e requerimentos que tramitam possam ser acompanhados por quem se interessar.
Aliás, transparência é artigo em falta no Legislativo alagoano. E essa é mais uma oportunidade de resgatar a imagem da classe política.
Antes tarde do que nunca.
EM TEMPO - O Interlegis é um programa desenvolvido pelo Senado Federal que visa à modernização e integração do Poder Legislativo nos seus níveis federal, estadual e municipal.
A Escola Legislativa funcionará com 22 computadores novos que poderão ser usados por 44 alunos por curso.
A ideia é selecionar servidores que possam ter acesso aos cursos e se tornem multiplicadores em seus departamentos.
Os meios utilizados serão as novas tecnologias de informação como internet, videoconferência e transmissão de dados que permitem a troca de experiência entre as casas legislativas.