A temperatura em todo o Brasil está mais alta. Não se trata de nenhum fenômeno meteorológico, mas das tensões políticas que se avolumam em torno do governo federal, e também do Congresso Nacional, desde que foi divulgada a temida lista de políticos investigados por suspeitas de cometer supostos atos de corrupção contra o patrimônio da Petrobras.

O escândalo chamado de petrolão tem minado ainda mais a popularidade da presidente Dilma Rousseff, que para tentar colocar ordem na economia brasileira – freando a inflação, a alta do dólar e a recessão – tem adotado medidas contrárias aos discursos de campanha e aos interesses, principalmente, dos trabalhadores e da classe média.

Visando mostrar seu descontentamento com os rumos do país e até pedir o impeachment da presidente, mas principalmente atacar a corrupção que se mostra endêmica nas principais instituições políticas brasileiras, o Movimento Brasil Livre – nascido logo após as últimas campanhas eleitorais – pretende reunir milhares de pessoas por todo País no próximo domingo (15), às 8h30, com concentração será no Corredor Vera Arruda, na Jatiúca, e trajeto até o antigo Alagoinhas, na Ponta Verde.

Em resposta à manifestação dos descontentes, movimentos sociais e sindicais, dentre eles a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), também marcaram uma manifestação também por todo país para esta sexta-feira (13), com concentraçãoa Praça Sinimbu, no Centro, e irá até a Assembleia Legislativa, na Praça D. Pedro II, também no Centro. O movimento tem sido interpretado como uma defesa da presidente, mas segundo a CUT se trata de uma manifestação em “defesa de um projeto”.

RELAÇÃO COM O GOVERNO FEDERAL

Segundo Amélia Fernandes, presidente da CUT em Alagoas, a manifestação dos movimentos sindicais, não está à mercê de ordens do governo. Tanto que estão indo às ruas para defender os direitos dos trabalhadores, que têm sido ameaçados desde que a presidente editou medidas provisórias diminuindo direitos e benefícios trabalhistas e previdenciários.

“A CUT não é chapa-branca. Ela tem autonomia e escolheu defender um projeto que é dos trabalhadores. Nós também temos críticas a este governo e vamos brigar para que os trabalhadores não tenham direitos e conquistas desrespeitadas. Apenas não admitiremos retrocesso, pois sabíamos o que era antes do governo Lula. Antes de 2002 não havia programas como temos hoje”, disse Amélia Fernandes, conforme registro no Blog do Vilar, do Portal CadaMinuto.

Se por um lado a CUT não quer parecer governista, por outro o Movimento Brasil Livre assume uma postura oposicionista sem parecer partidário. Intitula-se um movimento suprapartidário e não reconhece identificação com partidos, mas com pessoas. Aquelas que não são corruptas. Nas críticas, Leonardo Dias, empresário e um dos organizadores do MBL, que concedeu entrevista ao CadaMinuto Press, ressaltou que o MBL não apoia o PSDB e nem nenhum outro partido.

“O PSDB tem uma frouxidão ao fazer oposição. Ninguém aqui defende sigla. Não se trata de um terceiro turno”, pontuou Dias. “A ideia do MBL não é criar um movimento de direita. Até porque temos apoio de partidos que estão mais a esquerda, como de pessoas que são do PSOL, por exemplo. Não é nem ir para a direita, nem para a esquerda. Mas cobrar que o Brasil vá em frente. Não temos ligação com nenhuma sigla partidária e todos que estão insatisfeitos com o momento que o Brasil vive, no fracasso na economia e dos escândalos de corrupção, podem se fazer presentes”.