Hoje eu acordei com uma vontade danada de não usar este espaço para falar de política e políticos. É que bateu uma saudade imensa de apertada após a morte de Dona Lourinete Lôbo, Dona Lora, 77 anos. Lembranças dela, dos amigos que se foram antes da chegada justa da velhice e daqueles que a gente encontra, ou quase não encontra mais, que estão tendo a energia sugada pelo tempo.
Lourinete, e tudo que estava ao seu redor, especialmente os seus filhos, transpiravam alegria, firmeza, coragem e disposição. Ela mesma era uma agradável brincalhona com quem tive o prazer de conviver por muito tempo, principalmente na casa que eles têm próximo ao trevo da praia do Francês.
A forma como os amigos dos seus filhos sempre foram recepcionados era intensa, sempre-bem vindos. Uma mulher e tanto, uma figura, um período de convivência só de ótimas lembranças e amadurecimento pessoal.
O melhor dela pode ser observado em seus filhos. Demonstração disso foi presenciada no velório iniciado ainda na noite de terça-feira (3). E não estamos falando de uma autoridade pública, um grande empresário, não. Uma pessoa simplesmente comum, como a imensa maioria de nós. Mas uma autoridade da maior qualidade porque sempre demonstrou e tratou a todos com carinho, alegria e respeito.
Por isso, até onde pude acompanhar, passava da meia noite, e uma legião de amigos dela e da família não deixava de estar no cemitério Campo Santo Parque das Flores, no bairro do Tabuleiro, para tentar aliviar a dor da perda para família, o que é impossível.
A morte dela me trouxe a lembrança de amigos – como Bereu, Ricardo, Árabes, Cippolla, entre outros - e parentes vivos e mortos. Me fez recordar a minha avó retirando os ossos dos seus pais e irmãos da catacumba da família, em Mata Grande. Para ela eles pareciam vivos, tamanho o cuidado com que ordenava a um homem que os separasse gentilmente e os colocasse em caixas separadas para guardá-los no mesmo ambiente.
A vida não assusta. A transformação da morte muito menos.
A saudade é para sempre.
Obrigado Lourinete.
É um prazer ter tido a graça da sua convivência e dos seus filhos: Bururú, Purê, Antônio, Soraia, Neidoca, Ismênia.
Em Tempo – O sepultamento está previsto para ás 16 horas desta quarta (4), no Parque das Flores.
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