Tá lá na Assembleia Legislativa o projeto de lei encaminhado pelo ex-governador Teotonio Vilela no ano passado. A proposta é vender 56% do capital social da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

Dizem que a dívida gira em torno de R$ 1 bilhão e carência de investimentos de R$ 2 bilhões para evitar o colapso. O governador Renan Filho não descarta a venda de parte do capital, o que será um erro do ponto de vista social.

O quadro de dificuldades enfrentado pela empresa foi construído ao longo de muitas administrações. O governador eleito entregava a joia a um grupo político, ou a um político ligado diretamente a ele.

Ora, essa forma de fazer política implica em decisões de interesse pessoal, não decisões técnicas, o que deságua em erros e, infelizmente, corrupção. Assim seguiu a história da Casal. É fato que nos últimos anos essa forma de gestão foi estancada e a empresa avançou. Mas a doença não foi vencida e continua gravíssima.

Apesar disso, entregá-la ao setor privado também é um saco de maldades. O objetivo da gestão será o lucro, nunca a questão social. Cerca de 80% dos consumidores alagoanos pagam apenas a taxa mínima. Somente os municípios de Maceió e Arapiraca são lucrativos. Ou seja, numa simples matemática, 100 municípios não são.

Portanto, a Casal presta serviço ao povo, claramente, apesar de todas as dificuldades. A saída apontada por alguns especialistas é uma união do estado, municípios e  governo federal com o objetivo de investir na captação de água, saneamento e na recuperação financeira da companhia e, é claro, não entregá-la a nenhum político profissional.

A solução não é, absolutamente, privatizar, pensar em lucro. Um estado pobre como o de Alagoas ainda precisa da mão forte e eficiente do poder público para beneficiar a maioria da população que mais precisa.

Que o saco de maldades de Renan Filho continue guardado em um cofre seguro.