O que está ruim ainda pode piorar, diz o ditado popular. Pois bem, líderes petistas estão pressionando o governo do PT a rever medidas anunciadas que buscam o ajuste fiscal.
A tentativa de dificultar e endurecer o acesso ao seguro-desemprego, auxílio doença, abono salarial e pensões por morte está no centro dessa questão.
O que fazer? No meio petista fala-se em “equilibrar para que os mais ricos paguem essa conta”.
Essa reação das lideranças é compreensível, pois as centrais sindicais, especialmente a CUT, são as bases eleitorais e a origem do Partido dos Trabalhadores.
Mas é pura ilusão. Os mais ricos, majoritariamente, se não ocupam cargo eletivo no Congresso Nacional, representam os principais setores da economia – basta vermos os nomes das empresas que financiaram as campanhas eleitorais. Taxar os mais ricos, portanto, não deve seguir adiante.
Por outro lado, essa ideia de procurar equilibrar a conta com os mais ricos possibilita uma saída para o discurso político com as bases eleitorais do partido. Mas é pouco, muito pouco. Afinal de contas, o ajuste fiscal proposto foi gerado pelo governo do PT.
Esse é o grande nó para Dilma desatar. Não bastasse o desgaste com partidos da base eleitoral em menos de dois meses do início do segundo mandato, agora começa a enfrentar resistências dentro do próprio partido.
Como dizem que tudo só começa de verdade depois do carnaval, tudo indica que vem mais ajustes por aí.
Menos mal que alguns analistas e investidores projetam que o Brasil volta a crescer em 2016.
Até lá a pauta será crise econômica e política, ajuste fiscal e corrupção na Petrobras.