Desistência em razão da falta de estrutura deixou parte dos alagoanos frustrados com a falta de opção

A renúncia do procurador de Justiça, Eduardo Tavares de concorrer a eleição para o governo do Estado fato ocorrido na ultima quarta-feira, 24, deixou uma parcela significativa do eleitorado alagoano sem opção, frustrando a expectativa de ocorrer grandes debates sobre os temas mais importantes que afetam os setores de Segurança Pública, Saúde e Educação.

Eduardo Tavares justificou sua decisão em razão da falta de estrutura e apoio político, desencorajando-o a continuar a levar sua proposta de governo que tinha como principal slogan “Um jeito novo de fazer”. A campanha tinha dado a largada, nas ruas e, sobretudo nas redes sociais onde recebeu milhares de apoios e declarações públicas espontâneas.

A desistência de ET, foi de encontro ao anseio de muitos cidadãos que aderiram a sua proposta inicial. A história dirá se a decisão do procurador de Justiça foi acertada ou não Dois grandes exemplos de campanha política sem estrutura, se assemelham com a situação vivenciada pelos ex-prefeitos de Maceió, Ronaldo Lessa e o saudoso advogado e radialista, Sandoval Cajú.

Nos idos de 1986 o então deputado estadual Ronaldo Lessa, decidiu dar a sociedade alagoana uma terceira via, se contrapondo as candidaturas de Guilherme Palmeira e Fernando Collor que acabou se elegendo governador. Na época, Lessa entrou na competição sem apoio político nenhum a não ser de alguns partidos de esquerda.

Sem nenhuma estrutura, o único carro de som usado na campanha do interior foi cedido pelo empresário Eloísio Barbosa Lopes, que teve o irmão Severino Lopes como candidato a deputado federal. Lessa perdeu a eleição, mas  obteve 10% dos votos, deixando plantado uma semente que colheria anos depois quando foi eleito prefeito de Maceió e posteriormente governador do Estado por duas vezes.

Exemplo do fenômeno Sandoval Caju

Em 1960, a campanha pela Prefeitura de Maceió foi iniciada com vários candidatos, o médico Jorge Quintela (UDN) Joaquim Leão (PTB)  ex-prefeito de Maceió, Cleto Marques Luz (PSD) ex-deputado estadual e federal e Sandoval  Cajú (PDC). Cajú tornou-se conhecido em Maceió através de um programa de rádio denominado Tribuna do Povo através da Rádio Progresso de Alagoas.

Sandoval Caju narra em seu livro “O Conversador” que não dispunha de cabos eleitorais para trabalhar que os votos da família somavam dois, o dele e o sogro, sem parentes vivos, a esposa ainda não era eleitora. Como apoio do farmacêutico Angélico Gomes de Barros arranjaram um automóvel que se transformou em um carro de som. O combustível do carro e os salários do motorista e o locutor Artanhã Marcelino foram pagos pelos amigos.

Realizou uma campanha “franciscana” fazendo comícios relâmpagos pelos bairros de Maceió sendo três a quatro comícios por dia. Ao final da eleição, as 220 urnas eleitorais foram recolhidas no dia 03 de outubro de 1960 ao Clube Fenix Alagoana para apuração. Sandoval Cajú foi eleito prefeito de Maceió, sem nenhuma estrutura e com expressiva votação. Realizou uma administração de grandes realizações, aprovada pela população, infelizmente antes do termino do seu mandato foi cassado pela Ditadura Militar após o golpe de 1964.