Contrariando vozes que insinuavam uma chapa familiar, o senador Fernando Collor (PTB) buscou dois suplentes que agregam qualidades a uma candidatura cuja disputa é definida em apenas um turno - um tiro livre direto- Renilde Bulhões, ex-prefeita de Santana do Ipanema, e Severino Leão, ex de Arapiraca.


Naturalmente que o problema ocorrido com o PRB do seu atual suplente, Euclydes Mello, que seguiu para uma coligação diferente, o que impede que concorra a 1ª suplência, criou um problema. Porém, assim como na vida, na política problema também pode ser oportunidade.


Se Collor perde na chapa um amigo, aliado, parente, uma espécie de braço direito e porta voz, por outro lado demonstra aquela maturidade política só alcançada quando vida pessoal e profissional está em sintonia.


O tempo, uma esposa, a paternidade e um último julgamento no STF que o inocentou de acusações de irregularidades no seu período na Presidência da República dão esta madura capacidade de leitura da realidade.


A 2ª suplência para Severino Leão, do PMDB, significa uma reafirmação do prestígio de todo o Agreste, campo de batalha fundamental para o pleito deste ano. Com a indicação do também ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, como vice de Renan Filho, os dois ex-prefeitos na disputa por cargos importantes significam o resgate da força eleitoral da região.


Quanto à suplente Renilde Bulhões, também significa o fortalecimento do interior, especificamente do Sertão, a valorização feminina e o resgate e manutenção de uma aliança política e familiar lá das antigas.


A escolha da médica Renilde dá à candidatura do senador ainda mais visibilidade. Ela tem forte influência política desde Palmeira dos Índios, onde nasceu, e nas demais cidades da região, berço político do seu filho, o deputado estadual Isnaldinho Bulhões (PDT), e que já foi do ex-governador e cunhado dela, Geraldo Bulhões.


Mas as relações políticas e familiares de Collor e dos Bulhões vão mais além. Contam que Leda Collor de Mello, mãe do senador, em viagem pelo interior foi acometida por uma infecção. Pois bem, foi atendida na casa de Renilde. Ela e o marido cederam o melhor quarto da casa, o deles, o do casal. E lá Leda Collor se recuperou.


Contam, também, que quando Collor foi candidato à Presidência o marido de Renilde, Isnaldo Bulhões, comprou 20 motos, contratou motociclistas e os mandou viajarem pelo país com uma bandeira para divulgarem o nome do candidato.


Portanto, passado e presente parecem sempre estar juntos. Vão e voltam na vida e na política. Assim como Severino Leão. Ora, quem imaginava que retornaria dessa forma ao centro da política?


Arapiraca e o interior, definitivamente, “tão de boa” nesta eleição.


Assim, nada se acaba. Tudo se transforma.


e mail - [email protected]
Facebook – Voney Malta