O deputado estadual Judson Cabral, do PT, foi cotado para ser o candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Renan Filho, mas o PMDB decidiu por uma chapa puro-sangue com Luciano Barbosa assumindo a posição. Com isso, Cabral assumiu o desafio que o partido lhe propôs, manter a cadeira conquistada por dois mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa Estadual.

Conhecido por suas posições moderadas, mas de oposição firme, Judson Cabral acredita que vem correspondendo às perspectivas de seu eleitorado e está disposto a ser avaliado novamente pelo povo alagoano. Acredita que depois de sucessivos escândalos na ALE, sua imagem continua imaculada, mas não economiza em críticas aos pares, não poupando sequer os colegas de bancada petista.

Numa entrevista franca e sem reservas, Cabral revelou posicionamentos importantes do projeto de poder do PT, o partido que preside o país há quase 12 anos. Cabral falou sobre as próximas eleições, sua posição no tabuleiro de xadrez do “chapão”, o visível enfraquecimento do PT no estado e sobre a polêmica relação do PT com seus aliados, revelando ainda a meta do partido de fortalecimento de sua bancada federal e da possibilidade de convocação de uma Constituinte.

 

O que o senhor achou da decisão da frente de sair com uma chapa puro-sangue?

 

Normalmente, uma frente quando se forma, o partido que puxa, no caso o PMDB, tem como meta principal o fortalecimento da chapa majoritária. E visando esse fortalecimento, o senador Renan Calheiros, que é o grande timoneiro dessa frente, por toda experiência que tem, trabalhou em cima de alguns parâmetros de pesquisa, e outra coisa que impulsiona a frente é o tempo. Quando ele decidiu montar a chapa puro-sangue majoritária para federal atraiu outros partidos que estavam do lado do governo, como é o caso do partido do Carimbão [PROS]. A chapa puro sangue realmente não é a ideal, porque a ideia é de composição. Até nisso o PMDB, de certa forma, mantém uma hegemonia interna que desfavorece o crescimento dos demais partidos nesse aspecto dentro dessa visão. Mas no aspecto de pessoas preparadas, como quadro preparado, eles acertaram. Se o Renan Filho está começando e ainda não tem a visão, o Luciano tem a visão de estado, município e de país, uma visão muito boa.

 

Não se sentiu preterido por não ter sido escolhido vice?

 

Em relação ao nome do vice, meu nome havia sido citado. Meu nome foi uma indicação do PT. Além de ser um excelente nome para qualquer chapa, o Luciano é um cara competente, preparadíssimo, tem uma bagagem fora de série. O Luciano também trazia consigo força do interior, do agreste e isso pesou bastante. Aí que veio o fechamento, com a saída dele da chapa de federal ele abriu espaço para que o PMDB organizasse o chapão e com isso consolidasse a participação de mais partidos. Claro que eu gostaria e teria orgulho de ser vice-governador do meu estado, de disputar, teria. Mas eu queria uma coisa elaborada, não apenas compor chapa. Não houve essa discussão do aprofundamento com a Executiva Nacional, que fez questão de dizer que só homologaria as decisões daqui, para evitar sobressaltos, mas não houve essa discussão. Embora eu queira afirmar que Luciano Barbosa é um grande quadro, no meu entender é um dos caras mais preparados, com experiência na área pública.

 

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