A Polícia Federal (PF) informou ontem (27) que três foragidos internacionais – um mexicano, um argentino e um chileno foram presos durante a Copa do Mundo devido ao trabalho de cooperação entre polícias de 37 países desenvolvido especialmente para o mundial.
Os três estrangeiros eram procurados pelos seus países de origem e foram identificados pelo Centro de Cooperação Policial Internacional, que concentra, além das polícias dos países que participam da Copa, outras cinco nações convidadas, a Interpol, a Ameripol e a Organização das Nações Unidas (ONU).
Desde o início da Copa do Mundo, ao menos 122 pessoas foram deportadas do Brasil, entre eles, torcedores considerados violentos em seus países (caso dos argentinos conhecidos como barra-bravas) e pessoas que tinham documentação pendente ou tiveram a entrada impedida por envolvimento em crimes anteriores, conforme ocorreu com um pedófilo norte-americano.
A última prisão de um foragido internacional ocorreu nesta quinta-feira (26) em Brasília. O chileno Carlos Rodolfo Rodriguez Toro foi preso por furto em um shopping da capital federal. “Seria um furto normal, mas como era estrangeiro, recebemos a informação e compartilhamos com os colegas policiais chilenos. Eles verificaram então que o indivíduo tinha três mandados de prisão (por furto e violação de domicílio) em aberto no Chile, ou seja, era foragido”, contou o delegado chefe da Interpol no Brasil, Luiz Eduardo Navajas.
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O chileno teve a prisão preventiva decretada por um juiz do Distrito Federal e deverá ser extraditado para o seu país, segundo Navajas.
Já o argentino David Julio Ricardo Gil, preso na quinta-feira (26) no interior da Bahia, é um traficante foragido da polícia argentina e que estava no Brasil desde 2010. “Em razão da presença dos policiais argentinos no Centro de Cooperação Policial Internacional, iniciamos um intenso processo de troca de informações e conseguimos prendê-lo”, explicou o delegado. Não há evidências de que o argentino traficava drogas no Brasil, segundo Navajas.
Outro traficante também foi preso durante a Copa do Mundo. O mexicano Jose Diaz Barajas produzia metanfetamina nos Estados Unidos e era procurado pela polícia norte-americana. Ele entrou no Brasil a pé pela fronteira de Foz do Iguaçu e foi preso quando tentava embarcar em um avião no Rio de Janeiro. Ele veio ao Brasil para assistir à partida do México contra o Brasil, conforme o delegado.
Centro de cooperação
Cerca de 205 agentes trabalham no Centro de Cooperação Policial Internacional, inaugurado em maio pela Polícia Federal. O grupo atua na escolta de delegações, segurança de autoridades e deportação de estrangeiros com histórico de violência ou que possuam restrição com a Justiça. Uma das vantagens do centro é a possibilidade de acessar bancos de dados de outros países com informações de pessoas que tenham cometido crimes no exterior e estejam no Brasil.
Desde o início do funcionamento, o centro já atendeu a 600 pedidos de informações, a maior parte deles sobre antecedentes criminais e confirmações de autenticidade de documentos e de nacionalidade. Além do trabalho em Brasília, 100 policiais estrangeiros trabalham nas cidades sedes onde ocorrem jogos dos seus times nacionais. Vestidos com os uniformes que usam em seus países, a patrulha desses policiais durante as partidas inibe a prática de crimes, segundo assessora jurídica de cooperação internacional, Tânia Fogaça.









