O enfraquecimento do Estado é uma das justificativas para o alto índice de violência em Alagoas. A falta de serviços que atendam satisfatoriamente as demandas do povo nas áreas de saúde, educação, segurança, entre outros, contribuem para o que vemos e vivemos atualmente, especialmente em Alagoas.


Executivo, Legislativo e Judiciário atuam quase dissociados da realidade. Parece viverem em outro mundo. Mas no mundo real o povo começa a fazer justiça com as próprias mãos. Teve chance o pau come em cima de suspeitos de assaltos, certos de que a impunidade campeia altiva e vitoriosa, o que é fato por conta da inexistência de autoridade do Estado porque não enfrenta nem combate o descumprimento das leis sem se importar se o ato Ilícito praticado foi pequeno ou grande.


Nesse ‘rasgão’ que vive a sociedade, enquanto o povo parte para a justiça com as próprias mãos, o antigo jargão usado pelas autoridades tipo, “você sabe com quem está falando?” ainda reina tranquilo. Duas histórias exemplificam bem isso. Vamos a elas:


Semana passada, agência do Banco do Brasil, em frente à praia de Ponta Verde. Um homem num desses imensos carros de luxo estaciona em local inadequado em frete ao banco, grita e buzina chamando uma mulher de forma extremamente mal humorada chamando a atenção de todos. Os presentes suspeitaram que a figura fosse um jovem deputado federal com fama de ser agressivo. Sendo assim, fica claro que é uma autoridade certa de que pode tudo, certo da impunidade.


Segunda história – Um diretor de fiscalização do município trabalhava com os fiscais na praia de Pajuçara que tem parte interditada para veículos aos domingos. Junto com mais sete fiscais percebeu a colocação de uma piscina de bolinhas colocada em cima da grama. O problema eram os pés de apoio de ferro.


Foi pedido ao homem responsável que fosse retirada de cima da grama. A resposta foi que depois choveria e a grama voltaria a se desenvolver, ficando em seguida de costas. O diretor não concordou. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos o seguinte:


- Moço, por favor, vai matar a grama, disse o diretor.
- Tiro não. Você sabe com quem está falando?
- Se você mesmo não sabe, como é que eu vou saber, reclamou o diretor.
- Eu sou suplente do vereador cicrano, de Rio Largo, entendeu?


Um dos sete fiscais que estava por trás do diretor não conteve um gesto de riso. Quase todos caíram na gargalhada. O diretor manteve a postura e afirmou que iria a um determinado lugar e que ao voltar, caso a piscininha não tivesse sido retirada, seria recolhida. Ao retornar não mais encontrou o suplente de vereador de cicrano, lá em Rio Largo, nem a piscina, claro.


A soma impunidade mais ausência do Estado também explicam o caos social que vivemos.