A destruição do Estado enquanto ente agregador e organizador das relações sociais segue com uma rapidez impressionante. A cada dia surge uma notícia de populares fazendo justiça com as próprias mãos. Um suspeito de estuprar e matar uma jovem foi linchado e morto a pauladas e pedradas ontem (25), em Maceió. O morto é Jeferson de Souza Ramalho, 18 anos. Tudo feito as claras. Parece que foram tantas pessoas que a PM não tem nem ideia dos autores.
Fatos como esse tem ocorrido com uma frequência impressionante. E tendem a aumentar. Algumas dezenas de pessoas revoltadas reunidas podem tomar decisões exclusivamente pela emoção. Suspeitos não são culpados. Podem ser inocentes. Ao trocarmos a lei pela justiça com as próprias mãos corremos o risco insano de piorarmos o que já não satisfaz, ou não está servindo, que é a atuação do Executivo, Judiciário e Legislativo, além dos órgãos que englobam o funcionamento do Estado por motivos diversos.
Talvez as autoridades nãos se atormentem com tais registros porque estão distantes das necessidades básicas do povo na segurança, saúde e educação. Deslocam-se com seguranças e até são transportados em helicópteros de um bairro a outro em Maceió percorrendo uma distância de apenas 19 quilômetros. Caso do governador Vilela (PSDB), para otimizar o seu tempo, essa é a justificativa.
Isso é muito lindo e chique!
Só que é um mundo tão distante da realidade do povo. E quando esse povo sente que não tem segurança, educação e saúde e sabe dos excessos cometidos pelas autoridades, a revolta é muito maior.
Por isso suspeito é culpado. Daqui a pouco teremos hordas de justiceiros de momento. Culpados e inocentes serão castigados até a morte. Geralmente negros, pobres e jovens.
O Estado está se partindo.
Falta autoridade.
Falta o estadista, o visionário.