Desde a redemocratização do Brasil que o PMDB se agarra ao poder para permanecer forte. Para isso depende de indicações e do comando de ministérios, ou seja, dos negócios de algumas pastas. Pelo tamanho da bancada no Congresso Nacional fica difícil entender o motivo real pelo qual os peemedebistas nunca lançam um candidato à Presidência da República, preferindo a força numérica da bancada para pressionar o governante do momento a atender as suas reivindicações. Mas a verdade é que o PMDB virou especialista nessa forma de sobrevivência.

O maior medo do partido é perder essa especialidade escolhida por suas lideranças, Temer, Renan, Sarney, entre outros. Por isso a tentativa de emparedar Dilma Rousseff ao exigir cargos e ministérios. O PMDB perdeu quase 20% da bancada de deputados federais de 2006 para 2010, o que implica na perda de 20% do tempo de TV. Hoje são 75 deputados federais, o que representa ainda o segundo maior tempo de televisão.

O momento é delicado para o partido. Se perder outros 20% poderá ficar embolado com o número de deputados do PSD – hoje com 40, mas que deve atingir 50, e até do PSB que com candidato a presidente também deverá aumentar o seu número de representantes.

 A briga é grande também por conta das candidaturas nos estados, casos do Rio de Janeiro e do Ceará, por exemplo. Por isso o PMDB precisa de mais poder na máquina e impedir candidaturas majoritárias em alguns estados, pois é neles onde a bancada é eleita.

O nó é que o PT sabe disso tudo. O PMDB é um aliado esfomeado, que impede o crescimento dos petistas. Até o momento a presidente Dilma não cedeu às chantagens. Ontem (9), ela desconvidou o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o presidente da Câmara, Henrique Alves (RN), e o presidente nacional da legenda, Valdir Raupp, da reunião.

Será um sinal de força?

Hoje ela deve se reunir com os líderes do partido citados acima que foram desconvidados. E parece não estar disposta a aplacar a fome dos aliados. É que todos sabem que o PMDB não mantém o seu tamanho sem estar dentro do governo. Portanto, Dilma continua oferecendo apenas o Ministério do Turismo, não os visados e cobiçados ministérios da Integração Nacional e o da Agricultura.