O desabafo abaixo foi do companheiro Marcelo Firmino, jornalista e ex-secretário de Comunicação de Maceió, publicado em sua página no Facebook:


“Um casal em uma moto, a mulher na garupa e de revólver em punho, rende minha mulher e filha, na saída do Unicompra da Ponta Verde, e rouba as bolsas e celulares. Foram-se os anéis e ficaram os dedos, mas a sensação de impotência e o trauma martelando as cabeças das duas pelo momento de agonia vivido é o que há de pior. E aí você olha para um lado e outro, sente o drama, mas na verdade não há para quem apelar. A não ser para que os ladrões pelo menos deixem os documentos delas em algum lugar visível. Se for possível. Quanto a nós vamos tentar dormir com esse barulho lastimável.”


Ainda bem que o lamento é por objetos materiais que foram tomados sob a mira de um revólver. Ainda bem que não passou disso, é o que pensamos (pode?). Mas o que chama a atenção é o fato de que a mulher na moto ter empunhado a arma, algo incomum, mas que comprova o quanto estamos jogados a própria sorte. É que se o nosso efetivo de policiais é vergonhosamente reduzido, imaginem também o quanto é ínfimo o número de mulheres em nossas forças de segurança. E só mulher pode revistar mulher. Caso algum policial se meta a besta e faça a revista será penalizado. Então, deixam as mulheres pra lá. A bandidagem sabe disso. Mais uma vez fica claro que o estado não cumpre o seu papel.


Acidentalmente pode ser que esse caso seja resolvido. O acaso é quem vai resolver. O certo, entretanto, é que milhares de casos como o relatado ocorrem e ocorreram, mas não entram nos registros nem nas estatísticas. O clima de impunidade impera. Não há solução para o presente.


E você, caro leitor, se não foi vítima direta da violência provavelmente conhece alguem que já sofreu com a insegurança em Alagoas.