Depois que a poeira assenta fica melhor de ver, entender e concluir. O governador Vilela trocou secretários, mas não o modelo de governar. Nas secretarias de Planejamento e Infraestrutura os gestores que deixaram os cargos escolheram os seus próprios substitutos.


Mas é na segurança que o problema é grave. Apesar de todo o investimento de recursos e programas do governo da presidente Dilma, é certo que não sairemos do lugar. O que levou o ex-secretário Dário César a sofrer tamanho desgaste foi o não cumprimento das promessas de campanha feitas pelo governador Vilela.


Agora é a vez do ex-chefe do Ministério Público Eduardo Tavares, que não terá tempo para contratar os milhares de PMs prometidos (cerca de 7 mil), tampouco para construir e recuperar delegacias, batalhões e companhias militares.


Lá em Porto de Pedras, onde foi assassinado o soldado Ivaldo Oliveira (9 de dezembro de 2013), o efetivo foi recomposto em 50% (sim, infelizmente foi dessa forma). Existiam apenas dois policiais, como um foi eliminado covardemente, o governo substituiu essa perda enviando somente mais um PM. Como era antes, o efetivo continua com dois homens.


Esse quadro de dois, três policiais, é comum na imensa maioria dos municípios alagoanos. Mas a estratégia do governo não se incomoda com isso. A entrega da segurança a um membro ativo do Ministério Público foi feita buscando a blindagem das críticas e, especialmente, para dividir com o MP o insucesso.


 Como não vai dar tempo pra nada, reafirmo, o governador Vilela agora terá a desculpa de dizer que o MP tem o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público Estadual de Alagoas (Gecoc) – espécie de eficiente braço armado do MP com poder para convocar policiais para ações duras de combate ao crime- e toda a estrutura da segurança para enfrentar a violência.


Eduardo Tavares não pensou nisso, certamente, assim como outros membros que compõem o órgão que tem excelente imagem perante a opinião pública. Afinal de contas, são técnicos que não conhecem o raciocínio político, por isso correm o risco de engolir moscas e ratos ofertados por políticos profissionais imaginando ser um saboroso filé.


Definitivamente, o MP tem uma credibilidade, eficiência e eficácia que o governo de Alagoas não tem. São exatamente esses atributos que tentam tomar e se apropriar na figura de Eduardo Tavares.