O jornalista como profissional vem sofrendo revezes consideráveis, seja por conta das desastradas manobras para abolir a obrigatoriedade do diploma para se exercer o ofício seja pelas profusão de novidades tecnológicas que pulverizam as audiências e sacrificam veículos dentro e fora do Brasil.
Em Alagoas não é diferente e aqui os jornalistas ainda enfrentam outro agravante: a manipulação de dados e informações por parte de grupos políticos que se beneficiam dos veículos para chegar ou se manter no Poder. Em todas as redações é comum encontrar profissionais que lamentam todos os dias a ingerência política em seus trabalhos.
Foi o que se ouviu, em alto e bom som, da maioria dos ganhadores do Prêmio Braskem de Jornalismo, em sua vigésima quarta edição. Profissionais de rádios, jornais, TVs e sites enfatizaram a importância de uma maior liberdade de apuração, redação e edição de notícias.
Foram bastante aplaudidos e saíram de lá com uma certeza: só existe bom jornalismo onde existe liberdade de expressão. Repórteres conceituados, editores equilibrados e donos de veículos sempre travaram relações tensas. É assim nos regimes democráticos e pior ainda nos regimes de exceção.
O que não se pode admitir é o desrespeito. Receber uma pauta e cumpri-la com dignidade, apurando e redigindo fatos reais, faz parte do dia a dia de todo bom profissional da comunicação. O absurdo é ter que submeter texto e edição a interesses eleitoreiros, que só confirmam a tradição coronelista que ainda impera em parte do Brasil.
Sob essa égide, muitos profissionais são desrespeitados todos os dias em redações de todo país. Em Alagoas não é diferente. E isso ficou claro no último sábado. Mesmo em forma de desabafos emocionados, os recados foram dados. Se eles chegaram aos verdadeiros “donos” da notícia, isso já é uma outra história.
Em defesa do bom jornalismo
04/12/2013, 20:39 - Roberto Gonçalves
Por Roberto Gonçalves
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