Os primeiros estudantes a deixarem as salas de aula onde foram aplicadas as provas do Exame nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) expressaram muita revolta com este método governamental de avaliação do ensino superior. Muitos reclamam que tiveram que percorrer longas distâncias para fazer o "trabalho do Estado" de avaliar os cursos.
“Foi cansativo, desnecessário e não acrescentou nada para mim. Tive ainda que percorrer uma distância enorme, atravessando a cidade. Sai de casa as 9h30 para chegar a tempo, porque preciso me formar”, criticou João Matheus, aluno de Educação Física da PUC-RS.
Todos os entrevistados se mostraram muito revoltados com a obrigatoriedade de sair de casa em um domingo para fazer o Enade. “Confesso que nem li a prova, só vim porque é obrigatório”, afirmou a estudante de Radiologia Fernanda Ciarlo.
“Eles deveriam fazer isso no horário de aula. Era só mandar os fiscais para as salas e aplicar a prova, não causaria tanto transtorno, como fazer a pessoa atravessar a cidade para vir até a aqui”, disse, relatando que percorreu mais de 40 quilômetros, de norte a sul de Porto Alegre para chegar ao local do exame.
Célia Orige disse que deixou a prova sem nem concluir todas as questões, e criticou a postura do governo dizendo que “eles fazem uma prova como essas em um domingo e atrapalham muito a vida da gente". "Tenho filho, compromissos, e tenho que vir aqui para fazer o trabalho deles”, afirmou sobre um dos objetivos do Enade, que é avaliar a qualidade do que é ensinado nos cursos universitários do País.