Até Thomaz Bellucci sabe que um dos aspectos de seu jogo que necessita de mais evolução é o mental. Para isso, contratou uma psicóloga no meio de 2012: Carla di Pierro, que possui bons trabalhos com esportistas, viu o atleta crescer e conquistar excelentes resultados em julho do ano passado, quando o tenista foi campeão em Gstaad e Braunschweig, e disputou uma semifinal em Stuttgart. A expectativa era grande para a intensificação do trabalho na atual temporada, mas a boa fase não se repetiu.

Em um dos piores anos de sua carreira, Bellucci viu seu ranking despencar no circuito - atualmente, é apenas o número 117. Pior: chegou a uma série de derrotas consecutivas que já vai a nove – a última vitória foi no longínquo mês de julho, quando o paulista de 25 anos venceu o checo Lukas Rosol pela primeira rodada do ATP 250 de Stuttgart. Carla di Pierro, contudo, não considera que a má fase tenha atingido também o lado psicológico do tenista.

"Não vi retrocesso algum, muito pelo contrário. Houve evolução e amadurecimento psicológico, os momentos de dificuldades são as maiores oportunidades de crescimento e amadurecimento pessoal. O Thomaz tem utilizado isso a favor dele", opinou ao Terra a profissional, que diz trabalhar com o atleta na abordagem da psicologia de Análise do Comportamento. 

A série de derrotas, que culminou com a eliminação do Brasil do Grupo Mundial da Copa Davis, teve a “culpa” jogada em uma lesão com a qual o atleta nacional tem convivido ao longo de 2013. Para tentar modificar o jogo, Bellucci demitiu o técnico argentino Daniel Orsanic, mas a parceria com di Pierro continuará mesmo sem o treinador. A psicóloga, por sinal, credita à lesão uma queda de confiança do tenista, mas vê que o paulista pode tirar aprendizado do momento.

"A lesão tira a confiança de qualquer atleta porque tira o atleta do treino, do ritmo de jogo e competições. Deixa o atleta com dor e receoso se conseguirá fazer o mesmo movimento sem se machucar novamente. Ao mesmo tempo a lesão ensina o atleta sobre seus pontos fracos, deixa mais consciente de seu corpo, e mais interessado em se prevenir", explicou. 

Com a motivação de Bellucci apenas como um dos aspectos do trabalho da psicóloga, Carla di Pierro lembrou outra característica importante normalmente contestada durante as partidas do atleta: a concentração. Não é raro ver o brasileiro se desconcentrar ao perder um ponto fácil ou importante. A doutora contou que busca fazer com que o atleta "identifique quais os estímulos relevantes dentro de quadra e quais os que não são relevantes". A intenção é dar ao tenista a impressão de que “está no controle”. 

Psicóloga diz que não interfere na decisão de torneios a jogar

Com a grave má fase na carreira, uma das possibilidades mais comentadas para Bellucci é voltar a disputar torneios menores, de dificuldade reduzida, como os challengers. Entretanto, mesmo que a atitude do tenista nacional lhe dê mais confiança, Carla di Pierro afirmou que não interfere e nem opina na decisão de torneios a jogar.

“Meu trabalho com o Thomaz não é de aconselhamento, como funciona muito com um atleta juvenil por exemplo. O Thomaz é um atleta adulto e formado, ele é quem me ensina muito sobre tênis e é ele quem tem decidido atualmente o melhor torneio para jogar e os caminhos para recuperar sua confiança. Ninguém melhor do que ele sabe este caminho”, disse.