A rápida sessão ocorrida na tarde desta quinta-feira (03) na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) foi marcada por um bate-boca entre os deputados Temóteo Correia (DEM) e Judson Cabral (PT), que usou a tribuna para reafirmar o pronunciamento feito ontem, quando propôs a renúncia ou o afastamento da Mesa Diretora.

Cabral explicou que voltou ao assunto porque Fernando Toledo (PSDB) não estava presente na ocasião. “Sugiro isso para não chegarmos ao extremo de receber um oficial de Justiça para realizar o afastamento. Vossa excelência (Toledo) diz que tem respostas, mas não as apresenta”, argumentou, propondo a criação de uma mesa provisória até que as denúncias que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual fossem esclarecidas.

Em aparte, Temóteo Correia (DEM) disse que o petista estava pregando o “apocalipse”, defendeu que não havia motivos para que Toledo se afastasse da presidência e acusou Judson de golpismo. “O presidente está atrapalhando as investigações? Se ele estiver, o Ministério Público diga... Mas querer tirar quem está no poder de forma legítima se chama golpismo e aplicar golpe não está entre os inúmeros defeitos do seu partido, não é tradição do PT”, ironizou.

Correia afirmou que o pronunciamento de Judson era infeliz e comparou a crise vivida pela ALE com a enfrentada pelo então presidente Lula na época das denúncias do Mensalão, que nem por isso se afastou da presidência da República.

Em resposta, o petista disse que não era golpista, mas tinha coragem de fazer o enfrentamento e acusou o colega de não dominar o que dizia: “O que vossa excelência diz não se escreve. Exigiu a CPI em uma quinta-feira e, na terça seguinte abriu os braços como se nada tivesse dito. Deveria refletir, pois não está com as faculdades mentais em bom momento”.

Correia voltou a negar que tenha defendido a CPI: “Uma comissão dessas só serve de palanque para Vossa excelência e mais três ou quatro”, afirmou, acirrando os ânimos ao chamar Cabral de hipócrita e comparar o discurso do petista ao de um maluco que falava sozinho na Praça dos Martírios em sua época de estudante. “Quando começa a sua cantilena, eu me lembro do doido da Praça. Vossa excelência faz um discurso enjoado, sem objetividade, inconsequente e ainda tem o pavio curto só porque eu falei no Mensalão”.

“Estou diante de um parlamentar que não se dá ao respeito e tem problemas de amnésia. Prefiro ser doido, mas não me nivele a certas vigarices e condutas... Meu discurso pode ser enjoado, mas minha conduta não se compara a sua. Eu assumo meus atos”, rebateu Cabral, em um tom de voz mais elevado.

No meio da troca de farpas, o deputado Dudu Hollanda (PSD) pediu um aparte para defender que todas as ações da Mesa Diretora eram legais: “As movimentações financeiras apresentadas pelo deputado JHC são dos gabinetes, efetivos, comissionados... Está provado que o que quer fazer daqui o JHC é trampolim eleitoral nas nossas costas. Não estamos desviando dinheiro público. Tudo é de direito e aprovado por lei”.