Ao menos 30 pessoas morreram e 60 ficaram feridas no ataque a um luxuoso centro comercial de Nairóbi, capital do Quênia, na manhã deste sábado. O grupo militante somali Al Shabaab, que já tinha ameaçado atacar o shopping Westgate, popular entre a comunidade expatriada do país, reivindicou o ataque.
"O balanço é de 30 mortos. Isso inclui as pessoas que morreram no local e as que faleceram no hospital", indicou o chefe policial à imprensa. "As mortes são muitas, e isso é apenas o que vemos do lado de fora", afirmou o secretário-geral da Cruz Vermelha Queniana, Abbas Guled. "Dentro, há ainda mais mortes, e os tiroteios continuam."
Por volta do meio-dia (hora local), cerca de 10 homens da milícia invadiram armados e encapuzados o shopping Westgate Mall, um dos mais luxuosos da capital queniana, cuja clientela é formada principalmente por africanos abastados, indianos e ocidentais. Os criminosos dispararam e lançaram granadas contra clientes e funcionários do shopping.
Muitas vítmas seguiam detidas pelos pistoleiros horas depois do ataque, einformações desencontradas por parte das autoridades quenianas indicavamm que alguns dos atiradores já teriam sido presos após o ataque.
Ainda não há informações detalhadas sobre as vítimas, mas os Estados Unidos confirmaram haver americanos entre os mortos. "Condenamos este ato de violência sem sentido e que causou a morte e ferimentos de homens, mulheres e crianças inocentes", afirmou a porta-voz adjunta do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marie Harf.
Cenário do ataque
Helicópteros da polícia sobrevoavam o local, enquanto a polícia gritava "sai, sai", com centenas de pessoas fugindo do shopping. Por uma das entradas do estabelecimento saía fumaça, e testemunhas disseram ter ouvido explosões de granadas. Outros afirmaram que viram cerca de cinco homens armados atacarem o shopping Westgate, e que o incidente aparentava ser um ataque, não um assalto.
Alguns tiros puderam ser ouvidos duas horas após o início do tiroteio, depois que a polícia invadiu o prédio em busca dos agressores, loja por loja. Algumas emissoras de televisão locais informaram a presença de reféns, mas não houve confirmação oficial dessa informação.
"Eles não parecem ser ladrões. Isso não é um assalto", afirmou Yukeh Mannasseh, que estava no andar de cima do shopping quando o tiroteio começou. "Parece ser um ataque. Os guardas que os viram disseram que eles atiravam indiscriminadamente." Uma outra testemunha, que se identificou como Taha, disse ter ouvido som de freios, seguido por uma explosão e um tiroteio no piso inferior momentos depois. Outro sobrevivente disse ter sido atingido por um homem que parecia somali.
Alguns clientes subiram as escadas e se esconderam no complexo de cinema do shopping. A polícia encontrou outro grupo escondido em um toalete do primeiro piso.
Pelo menos duas dúzias de feridos foram retirados do local em macas e carrinhos de compras. Muitas das vítimas tinham alguns ferimentos leves, aparentemente causados por destroços que voaram sobre elas. Algumas pessoas conseguiram sair andando, porém com roupas manchadas de sangue envolvendo seus ferimentos. A polícia isolou as ruas em torno do shopping, que fica no bairro central Westlands.
Questionado se o ataque havia sido um assalto, um policial paramilitar disse: "Não, (foi) terrorista".
Novo tiroteio e reação do governo
Horas depois do ataque, novos tiroteios e uma pequena explosão foram registrados no centro comercial. Vários reféns permanecem no centro comercial, um dos mais movimentados de Nairóbi, seis horas depois do ataque, que não foi reivindicado oficialmente por nenhum grupo, embora a Al Shabab tenha reconhecido implicitamente sua vinculação com o caso em sua conta no Twitter.
O novo episódio de disparos ocorreu por volta das 19h locais (13h de Brasília), quando já escureceu na capital queniana, e os tiros partiram do exterior para dentro do centro comercial, segundo constatou a Efe. Os jornalistas e outras pessoas que permanecem nas imediações do edifício foram evacuados após os disparos, que foram escutados do lado de fora e demoraram cerca de 15 segundos.
O ministro de Interior, Mutea Iringo, reagiu ao ataque afirmando que o governo "não retrocederá na guerra". Ele explicou que as forças de segurança quenianas reforçaram suas equipes de resgate, em colaboração com o Centro Nacional de Operações de Desastres e a Cruz Vermelha.
"Reforçamos a segurança em todos os shoppings da cidade", afirmou o ministro, que enviou uma mensagem de "tranquilidade" aos quenianos em entrevista coletiva para informar sobre a situação no shopping Westgate, um dos mais luxuosos de Nairóbi. "Não estamos assumindo riscos e destacamos serviços de segurança suficientes no lugar, incluindo unidades especializadas", assegurou.
As informações são de Reuters, AFP e EFE.











