No domingo (8), há poucos instantes antes do início do jogo entre o meu Botafogo e o Criciúma recebi um telefonema lá de Mata Grande, cidade onde nasci. Era um amigo meu querendo saber como solicitar e ser recebido em audiência pelo governador Vilela ou por algum secretário importante. Respondi-lhe, apressadamente, que não sabia como funcionava tal procedimento. Daí, travamos o seguinte e rápido diálogo:

- Alô. Voney, é tú? Tudo bom cara? Rapaz visse a notícia do governador gastando num sei quantos milhão com comida?

- Vi.

- Rapaz, a gente aqui na Mata tá pensando em marcar uma audiência com o governador, levar uns vereadores daqui, Canapi, Inhapí e até Delmiro, Água Branca, até da bobônica daqui do sertão pra ver se nois come um pouquinho desse regabofe do Téo, né. E que que tu acha?

-Sei lá.

- Home, pode dar certo. Ano que vem tem eleição e ele vai precisar de nois. Aqui, Voney, o inverno foi fraco virado no diabo e o cara tá gastando uns 40 paus com comida. Rapaz! E num sobra nem um pouquinho pra cá.

- É danado.

- É nada. Vamos bater na porta do palácio. A gente leva uns político, uns criador de boi, um povo com fome e come um pouquinho por aí. Será que tem uma biritinha também?

- Pode ser. Tente.

- Tu não quer conversar não, é?

- Vai começar o jogo do fogão.

- Eu ligo amanhã. O povo tá com fome e vai pra aí, viu.

- Tá. Chau.

Pois bem, boa ideia vinda lá de Mata Grande. Já imaginou se sertanejos, miseráveis e pobres protestassem em frente ao palácio querendo também participar do regabofe?

Mais pense menino, seria de primeira!

Enquanto o nosso Estado se esvai em seca, a turma do governo pode gastar até R$ 40  milhões com comidas de primeira qualidade, requintada, pratos elaborados com lagostas, bacalhau, salmão, camarões e carnes nos cafés da manhã, almoços, jantares, coquetéis, coffe breaks e brunchs.

Ah, sobre brunchs, belíssimo nome inglês que significa uma refeição de origem Britânica que combina o café da manhã (pequeno-almoço) (breakfast em inglês) com o almoço (lunch em inglês). É normalmente realizada aos domingos, feriados ou em datas comemorativas, quando toda a família se reúne entre 10 e às 14 horas (por tempo indeterminado) em torno da mesa.

E regabofe significa comezaina, divertimento, festança e folia.

Enquanto o governador Viela e seus auxiliares estão muito bem servidos, as delegacias, escolas, hospitais, segurança, rodovias, estão daquele jeito que nós sabemos, um “regabofe” de ruindade e um “brunch” de...

Agora, falando sério pra encerrar. Em que pese o orçamento prever gastos de até R$ 40  milhões, o governo pode gastar bem menos, é claro. Entretanto, a monstruosidade do valor máximo previsto deve deixar os órgãos de controle fiscalização muito atentos.

Afinal de contas, em 2014 tem eleição e uma empresa de eventos pode contratar um montão de pessoas para efetuarem um milhão de atividades, certo?

Então, olho bem aberto quanto ao regabofe e ao brunch.