A Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), apoia o trabalho das artesãs do Bordado de Filé para obtenção da Indicação Geográfica (IG) do Bordado Filé da região das Lagoas Mundaú e Manguaba. O projeto desenvolvido desde 2010 agrega cinco associações de artesãs, Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande), Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Sebrae Alagoas. O município uniu força às ações desde o início deste ano, quando a FMAC passou a fazer parte do grupo de entidades apoiadoras do projeto e assumiu o compromisso de garantir o espaço físico para instalação da sede do Instituto do Filé, que será deverá ser localizado no Pontal da Barra.

O registro de IG é concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem. A certificação diferencia os produtos dos seus similares no mercado, atribui identidade própria, valor intrínseco e reputação ao produto, valorizando-o ainda mais. Para merecer o registro, os produtos devem apresentar uma qualidade única em função de características naturais, como solo, vegetação e clima, ou na forma diferenciada de fazê-lo, como é o caso do Bordado Filé.

Para conquistar o registro, as bordadeiras do Filé e entidades parceiras já trilharam um longo caminho. Passaram pelas fases de delimitação e mapeamento da área onde o bordado tem forte incidência, pelos estudos sobre a incidência histórica do filé na região e a criação do Instituto Bordado Filé para ser o órgão detentor do selo de Indicação Geográfica.

Agora, as artesãs precisam passar por uma nova etapa e validar os pontos e as redes escolhidos para compor a documentação que será entregue ao INPI. Isso acontecerá na próxima quinta-feira (29), durante o Fórum de validação “Normas e uso do Bordado Filé da região das Lagoas Mundaú e Manguaba”, a partir das 16h, no Museu Théo Brandão.

A assessora especial da FMAC, Vania Amorim, explica que a escolha desses pontos e redes não é feita aleatoriamente. “As artesãs passaram por consultorias especializadas que ajudaram no processo de definição das características de um Filé de excelência a partir de critérios bem definidos como a qualidade da linha e o percentual de preenchimento da rede”, explica.

A consultora do Sebrae Alagoas, Marta Melo, destaca que o Filé existe em várias partes do país, mas só em Alagoas possui uma forte carga histórica e cultural. Segundo ela, a Indicação Geográfica vai fazer com que a artesãs protejam a sua técnica provando sua notoriedade.