O esquema teria começado no governo de Mário Covas (PSDB). Multinacionais participavam de um cartel. Combinavam preços, ganhavam o serviço (licitação), cobravam mais caro e beneficiavam os tucanos com recursos.

 O ex-governador São Paulo, José Serra, também é citado, assim como o atual, Geraldo Alckmin. Todos negam. Entretanto, o fato é que as investigações atingem em cheio as principais lideranças políticas do partido, com exceção do senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato do partido à Presidência da República.

Quanto a José Serra, a simples suspeição do seu envolvimento no caso atinge em cheio a sua estratégia de ser candidato a presidente pelo PSDB ou, como vinha articulando, numa outra sigla, provavelmente o PPS.

O ex-governador é acusado pela multinacional alemã Siemens de propor um entendimento na disputa pela aquisição de 40 novos trens para não travar uma licitação. Serra nega, em nota, publicada em sua página no Facebook. Porém, o nome dele é citado em emails trocados entre executivos da multinacional.

Abaixo a nota do ex-governador José Serra:

A concorrência para compra de 40 trens de São Paulo, realizada em 2008, foi uma verdadeira ação anti-cartel, de defesa do Estado e dos usuários de transportes.

Ganhou a CAF, uma empresa espanhola que ofereceu o menor preço. O Estado economizou cerca de 200 milhões de reais. E ganhou 40 trens novos, para transporte coletivo.

A Siemens, empresa alemã, ofereceu preços bem mais altos. Por isso perdeu, ficando em segundo lugar. Diga-se que não recebeu nenhum tipo de compensação. Não foi subcontratada nem ganhou contratos novos. Ou seja, os fatos sugeridos nesse(s) email(s) de executivo(s) da Siemens não aconteceram.

A fim de anular a concorrência, a Siemens entrou com vários recursos na esfera administrativa e na Justiça, mas não teve êxito. O Governo de São Paulo ganhou na instância final, do STJ. Prevaleceu então a concorrência realizada e os preços mais baixos.

O Banco Mundial, que financiou o projeto, supervisionou e aprovou toda a licitação.

Como se comprova com facilidade não houve nenhum acordo com empresas para limitar a concorrência. Pelo contrário, o governo e sua secretaria de Transportes Metropolitanos defenderam a concorrência e os preços menores, em benefício da população paulista.