A visão do PSDB é a de que terceirizar o máximo possível a administração pública é o ideal. Aqui em Alagoas a gente vê isso na saúde, por exemplo, questão que é motivo de reclamações e críticas de lideranças de diversas categorias que por lá exercem o seu ofício.
Agora, jamais imaginei que até a gestão diária da segurança pública seria, digamos, “terceirizada”. E isso está ocorrendo efetivamente. Basta vermos o papel que vem desempenhando o Conselho Estadual de Segurança. Ora faz visitas para reafirmar que delegacias não funcionam em horário comercial e, por último, mandou que médicos da PM fossem trabalhar no IML.
Que eu saiba, o gestor principal da área é o coronel Dário César, secretário de Defesa Social, e na PM manda o coronel Dimas Barros Cavalcante. Publicamente não foi dito se os dois principais responsáveis pela segurança teriam sido consultados para, pelo menos, darem uma opinião administrativa sobre a realocação de médicos militares do Hospital da PM para o IML. Nem também foi dito se o governador Vilela, o verdadeiro comandante escolhido duas vezes pelas urnas, foi consultado.
Que é importante o papel desempenhando pelo Conselho não há nenhuma dúvida. Mas, e quanto ao papel dos comandantes da segurança e do próprio governador nessa história, qual será?
Entretanto, onde não há desempenho satisfatório alguém pega as rédeas, toma o comando e dirige a situação. É o que parece está ocorrendo com a segurança que ao governador Vilela cabia cuidar e comandar.
Mas, é preciso dizer que os responsáveis pela área de segurança – Dário César e Dimas Barros- são capazes e preparados. O que não conseguem fazer é uma limonada sem limões, ou seja, sem efetivo, sem recursos e sem um governante interessado efetivamente em participar, determinar, enfrentar e priorizar os desafios; as dificuldades e a crise não cessam. É o que temos visto e sofrido diariamente.
Deduzo, então, que o Conseg está tomando pra si esse papel. É claro que está tirando o cobertor dos policiais militares com a transferência dos médicos. Talvez, ao perceber que a solução para o IML não avance, volte os olhos para determinar que o governo contrate médicos legistas e dê-lhes condições de trabalho. E que também contrate policiais civis e militares e dê-lhes local digno de trabalho.
Caso contrário, melhor entregar definitivamente a segurança para o Conselho de Segurança. Quanto aos outros órgãos da administração pública – saúde e educação, por exemplo, talvez seja melhor criar novos Conselhos ou fazer com que os que existem assumam as rédeas. Essa talvez seja a melhor forma para um governante se dizer democrático e não assumir o seu verdadeiro papel, governar.