Uma pessoa afável, de trato fácil e que deixou sua marca no Ministério Público. Mas também alguém que se descuidou das relações com os outros poderes e se viu tornar persona non grata no Congresso. No dia 15 de agosto, após quatro anos, Roberto Gurgel deixa o comando do Ministério Público Federal como o procurador-geral da República que atuou no julgamento do mensalão e que não soube lidar bem com o Parlamento.

Já tendo atingido o ápice da carreira e com idade para se aposentar, Gurgel não deve ficar muito tempo no Ministério Público, depois de deixar o posto. Não terá tempo para atuar no julgamento dos embargos de declaração – tipo de recurso – apresentados por todos os 25 réus condenados no mensalão. Mas esse processo deverá ficar como a grande marca de Gurgel no Ministério Público.

Quem começou a Ação Penal 470 – o processo do mensalão – foi seu antecessor no cargo, Antonio Fernando de Souza. Mas foi Gurgel quem fez as alegações finais e atuou no caso por quatro meses e meio, quando levado a julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo e a falta de habilidade política de Gurgel o transformaram em alvo. Entre erros e acertos, os ataques feitos por políticos, em especial pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) e por parlamentares do PT, tornaram-se rotina.