As reações ao texto publicado anteriormente foram, em sua maioria, agressivas. Faz parte de quem se habilita a expor alguma ideia. O importante, entretanto, é que houve posicionamento.
O fato indiscutível é que é necessário e urgente a presença de médicos nas cidades do interior e nas periferias das grandes cidades. Assim como são juízes, promotores e delegados. Esta é uma necessidade básica, humana e de sobrevivência.
É logico que todos esses profissionais precisam receber do poder público condições para executar com qualidade o seu ofício. Isso não se discute e tem que ser cobrado dos prefeitos, governadores e presidente da República. Como também é lógico que o melhor para a categoria médica é que o atendimento seja centralizado em Maceió e Arapiraca, por exemplo. Do ponto de vista logístico são as duas melhores cidades de Alagoas pra se viver e para ganhar dinheiro porque têm maior população e maior renda e melhor estrutura.
Bom, vamos a outras informações sobre o tema. Apesar da reação conservadora e estúpida das entidades representativas dos médicos, o último dado divulgado pelo Ministério da Saúde revela que quase 12 mil médicos em todo o país fizeram sua inscrição para se habilitar no programa Mais Médicos, criado pelo Governo Federal através de Medida Provisória. 92% dos interessados são brasileiros. A outra boa notícia é que 66 municípios alagoanos estão na lista do Ministério para receber profissionais do Programa.
Os dados acima, porém, são ruins para muitas lideranças da categoria, hospitais e clínicas privados, enfim, é ruim para todos que fazem da medicina apenas um grande negócio lucrativo, incluindo para aqueles que se dedicam ao comércio e ao consumo dos grandes laboratórios internacionais.
Por isso generalizo ao chamar os médicos encastelados em suas entidades de conservadores de branco. Ora, esse pessoal não quer que nada mude, assim como muitos estudantes que frequentam faculdades públicas de medicina, porque do jeito que está à profissão é bastante rentável.
Como pode uma entidade representativa da categoria ser contrária a um programa que paga para médicos trabalharem nos lugares mais pobres e distantes do país, aonde poucos querem ir?
Como pode uma entidade representativa ser contra uma proposta para aumentar em mais dois anos o tempo do curso fazendo com que o estudante de medicina de faculdade pública, orientado por profissionais experientes, atenda aos mais pobres, nos lugares mais distantes?
Será que esse contato humano, em lugares pobres e distantes, não será capaz de mostrar ao estudante de medicina os mundos diferentes e divergentes que existem?
Saúde dá dinheiro, o que é normal e perfeitamente humano. Só que saúde é um direito de todos nós.
De toda forma, desejo sorte aos médicos que estão se inscrevendo no programa e muita sorte, também, aos médicos estrangeiros. O povo agradece. Os mercadores, provavelmente, não.