“Na política se diz que o pior ciúme é o ciúme de homem. Falta grandeza”. Com essa frase, o ex-deputado federal João Caldas (PEN) resumiu sua opinião sobre a “guerra” travada entre grupos políticos pela "paternidade" do Estaleiro Eisa, que teve a licença prévia liberada nessa segunda-feira (15) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Em entrevista ao CadaMinuto, o ex-deputado afirmou que, em toda a história de Alagoas, antes dele nenhum político falou sobre a indústria naval no Estado. “Quando integrei a Comissão de Minas e Energia na Câmara Federal, entrei de cabeça na cobrança pelo retorno da indústria naval – que estava sucateada – no Brasil. Fiz vários discursos”, relatou.

Caldas disse que nesse mesmo período, há cerca de 15 anos, conheceu o empresário German Efromovich, que estava ingressando na indústria naval ao adquirir o Estaleiro Mauá. “Hoje é simplista dizer que eu apresentei o empresário ao governador, mas eu passei um ano tentando marcar esse encontro”, frisou, ironizando que alguns dos que se intitulam ‘pais da criança’ não viram German nem em sonho.

O ex-deputado acrescentou que, quando ocupou o cargo de deputado federal – na vaga de Rui Palmeira (PSDB), então candidato a prefeitura de Maceió -  cobrou diariamente a liberação da licença para o estaleiro. “Bati tanto nessa tecla que fustiguei a bancada federal a se manifestar também. Coloquei a bancada em xeque mate, mas, até a minha saída, não houve um discurso em defesa do estaleiro”.

“Já esperava que ninguém falasse no meu nome, mas estou tranquilo, porque ninguém resiste a verdade. A verdade é a verdade. Fui eu que primeiro tive a visão do desenvolvimento que uma indústria naval traria para Alagoas”, desabafou.

Caldas lembrou ainda que a licença prévia conquistada é apenas o primeiro  capítulo da história e lamentou os prejuízos que a demora para instalação do Eisa causou a Alagoas:  “Infelizmente, depois de tantos percalços, já perdemos uma  década de desenvolvimento”, finalizou.