O sepultamento da proposta de plebiscito sobre reforma política apresentada pela presidente Dilma foi feito pelos líderes da Câmara dos Deputados. Logo após uma reunião com o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o argumento utilizado pelas lideranças de diversos partidos foi um só: A realização do plebiscito com as regras entrando em vigor em 2014 não é possível.
E quando se quer enterrar uma idéia considerada desinteressante pela classe política, basta criar uma comissão, o que pode ocorrer a qualquer momento, por decisão do Colégio de Líderes¶. Ou seja, enterraram o plebiscito, mas não sepultaram o corpo, cujo papel ficará a cargo da Comissão, do tempo e do esfriamento da vontade das ruas.
O PT ainda defende a idéia, embora saiba que pouco vai adiantar. A não ser que algo mude milagrosamente, tipo o povo voltar a protestar ou coletar assinaturas. É, pode ser.
O fato é que o PT está isolado na Câmara, pelo menos no que se refere ao seu ponto de vista político e a estratégia adotada de apresentar uma resposta a todos que foram as ruas protestar.
Do outro lado, lá vem à oposição disparando seus ataques, sabedora de que política é a arte de saber o momento e a oportunidade ideal de fustigar o adversário, ainda mais quando esse adversário começa a enfrentar sinais de desgaste popular e político.
O senador e presidenciável pelo PSDB mineiro, Aécio Neves, apresentou um projeto de reforma política com seis temas que valeriam apenas para 2018, que são: Voto distrital, fim das coligações proporcionais, suplência de senador, cláusula de desempenho, contabilidade do tempo de TV de acordo com chapas majoritárias e o fim da reeleição, com mandatos de cinco anos para cargos do Executivo
E para fustigar a presidente Dilma Rousseff, Aécio Neves chamou-a "para assumir responsabilidade pelos problemas do País e pelos equívocos do governo", criticou o Programa Mais Médico por considerá-lo uma ideia apenas paliativa e marqueteira e disse ainda que esse governo desmoralizou o instituto da reeleição quando deixou de governar para fazer campanha antecipada".
Portanto, os ataques estão apenas começando. Até o momento, o governo petista luta para tentar reconquistar a vanguarda que detinha ao representar a maior parte dos anseios da população, o que não está fácil.
Principalmente com uma base de apoio formada por interesses de proximidade com o Poder. Para piorar, o ano é pré-eleitoral, o que significa que o político está pensando em como sobreviver ao julgamento a que será submetido em 2014.
Vale a regra: Salvem-se quem puder!