O xeque Ahmed al Tayyip, da instituição mais tradicional do islã sunita Al-Azhar, pediu nesta segunda-feira que os egípcios alcancem um acordo para reconciliação nacional "antes que o país caia na guerra civil".
Em mensagem à nação, Tayyip pediu a libertação de todos os presos políticos, o retorno à democracia em menos de seis meses, a formação de um comitê de reconciliação nacional em um máximo de dois dias e uma investigação urgente sobre o episódio ocorrido hoje em frente à sede da Guarda Presidencial, que terminou com 42 pessoas mortas e mais de 300 feridos.
A Irmandade Muçulmana disse que o ocorrido foi um "massacre" cometido pelo Exército e a polícia contra manifestantes pacíficos. Já as Forças Armadas atribuem as mortes a um ataque perpetrado por "um grupo terrorista".
O xeque de Al-Azhar alertou sobre o risco de uma guerra civil e lembrou que já fez isso em outras ocasiões. Tayyip revelou que ficará em sua casa "até que todos assumam suas responsabilidades pelo derramamento de sangue".
Tayyip, que teve grandes divergências nos últimos meses com a Irmandade Muçulmana, pediu que se anuncie rapidamente um calendário para o país, não superior a seis meses, para retornar o caminho democrático no país.
O xeque também reivindicou a libertação de "todos os presos políticos"e que não sejam realizadas novas detenções nem ataques contra nenhuma força política.
As autoridades fecharam hoje a sede do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço da Irmandade Muçulmana, depois que dezenas de dirigentes do grupo foram detidos nas últimas semanas.
"Convoco os egípcios a escutarem a voz da razão antes que seja tarde demais. Imediatamente, deve cessar qualquer ação que possa causar o caos", afirmou o líder religioso.