Na Alemanha, abordado por uma jornalista alemã, o ex-presidente Lula rejeitou o movimento “volta, Lula” e reforçou, na presença de empresários, a candidatura de Dilma a Presidência da República. Num episódio na cidade de Lepzig, enquanto posava para uma foto, Lula se irritou e reagiu com dureza ao ouvir o grito do deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) que disse; “É Lula de agora, é Lula de novo”; que rebateu: “Nada disso, não brinco com coisa séria”.
Na avaliação de dirigentes petistas o comportamento do ex-presidente reforça que ele não tem pretensão de ser candidato em 2014, ao contrário do desejo de muitos aliados. Exatamente por isso, e graças a esse posicionamento, está sendo iniciada uma operação para abafar o “volta Lula”. E como o momento da presidente Dilma é delicado diante das manifestações populares, o que o governo precisa agora é de apoio dos aliados e não de uma ação pedindo o retorno do aliado ex-presidente.
Além do mais, engrossar o coro em favor de Lula só aprofundaria o desgaste da imagem da presidente perante a opinião pública, a base aliada, antecipando prematuramente o fim do governo, o que significaria a antecipação da eleição e 2014. Ou o governo Dilma dá certo e enfrenta as dificuldades do momento, ou a derrota está mais do que próxima. Ou seja, em política seria como um suicídio político coletivo escolhida pelos dirigentes petistas.
Rejeitada a campanha em torno de Lula, a estratégia do PT, a partir de agora, é reconstruir a relação com a base aliada e garantir a governabilidade, especialmente com o PMDB. E esse é um pedido feito por Dilma aos deputados federais do partido.
Concomitante a rearticulação da base, para enfrentar a queda de 27% na popularidade, Dilma Rousseff “vai mostrar tudo de bom que foi feito neste País”.
Se a estratégia não vingar, o coro pela volta de Lula vai aumentar. Por outro lado, como Lula não deseja retornar ao posto máximo da nação, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sonha e trabalha para ser a alternativa dos partidos de esquerda.
Como em política é regra que tudo muda o tempo todo, só nos resta aguardar para saber onde, quando e para qual lado os ventos da imprevisibilidade vão soprar.