A frase que escolhi como título para esta postagem copiei de uma jovem que participou dos protestos em Maceió. Não foi ela, entretanto, quem criou, mas foi usada em um bate papo no facebook.

Anotei-a e guardei-a durante os festejos juninos no interior. Achei-a de uma profundidade e responsabilidade imensas. Ou seja, há consciência e criticidade, sim, na meninada, coisa que nunca duvidei.

Porém, é preciso ter os devidos cuidados com o que pode vir por aí. Algumas propostas – exigências – são perigosas, tanto quanto outras são inexequíveis. O fato é que precisamos avançar, melhorar o sistema político e administrativo. Gritar mesmo sobre o que queremos e o que precisamos.

Vivemos uma crise e dela precisamos tirar o melhor proveito para fortalecermos a nossa democracia. O voto, a escolha dos nossos representantes feita de maneira livre e secreta pelo voto do povo ainda é a melhor maneira de termos um governo legitimamente escolhido.

Portanto, sim ao leão e não ao cordeiro.

Fico, todavia, muito preocupado com decisões políticas tomadas pela emoção e pelo clamor popular. Acho que transferir às multidões a responsabilidade de decidir sobre a reforma política, pode acabar criando um sistema pior do que o atual. E é isso que vem sendo proposto pelo site "Reforma Política Já". Produzido pelos organizadores do Movimento Ficha Limpa, tem propostas que ferem de morte a democracia, como o fim dos votos secretos dos parlamentares, o que torna o político refém da imprensa ou de grupos organizados. Assim como o impedimento de que pessoas com processos, qualquer processo e em qualquer instância, possam concorrer a algum cargo público.

Leia, abaixo, algumas propostas do site Reforma Política Já e a opinião de cada ponto por parte do site brasil247 e tire as suas conclusões como leão e não como cordeiro:

1) Fim do voto obrigatório

O voto facultativo, de fato, é mais democrático, mas pode redundar num sistema político mais elitista.

2) Fim do voto secreto dos parlamentares

O movimento RPJ prega que as votações sejam abertas e transmitidas ao vivo. Seria um óbvio retrocesso, assim como ocorre em julgamentos transmitidos ao vivo, como o da Ação Penal 470, em que agentes públicos decidem em função das câmeras – e não da convicção ou da lei. O voto secreto, na realidade, protege parlamentares do linchamento de uma mídia que tem seus próprios interesses políticos e é capaz de manipular as massas ou os agentes públicos.

3) Eleições a cada quatro anos – e não de dois em dois anos

Uma medida que poderia, sim, trazer maior eficiência ao sistema político.

4) Impedimento para que pessoas envolvidas em processos se candidatem

A consequência será a judicialização ainda maior da política e o verdadeiro poder não será mais o das urnas, mas sim o dos delegados, o do Ministério Público e o dos grupos de mídia.

5) Fim do voto de legenda

O movimento RPJ propõe que sejam eleitos os candidatos com maior número de votos, independemente de seus partidos. Ou seja: é uma proposta que favorece iniciativas voluntaristas e enfraquece o poder dos partidos políticos.

6) Quebra de todos os sigilos

Para o RPJ, basta uma denúncia formal para que o político abra seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Ou seja: o que esta reforma "popular" sugere é que garantias individuais sejam abolidas, mesmo sem decisão judicial, o que é, claramente, antidemocrático.

7) Financiamento público de campanha

O movimento RPJ defende o financiamento público de campanha, mas para candidatos que tenham sido aprovados com 70% num curso de preparação, com aulas de moral e cívica. Ou seja: trata-se de um movimento claramente conservador.

8) Reeleições limitadas

A proposta do RPJ limita a apenas uma reeleição para cada cargo público – e não apenas no Executivo. É um erro que evitaria que bons parlamentares façam carreira na Câmara, no Senado ou nas câmaras municipais.

9) Presunção de culpa

Em caso de suspeita de corrupção, o movimento RPJ defende que o político seja afastado para não prejudicar as investigações e que não possa renunciar. O resultado prático dessa proposta, absolutamente autoritária, é que todos sejam rapidamente transformados em suspeitos.

10) Confirmação de corrupção

Neste caso, o político será cassado imediatamente, sem votação, será preso e terá seus bens confiscados, mas o movimento RPJ não deixa claro o que é confirmação de corrupção. Uma decisão em primeira instância? Pelo STF?

Estes são apenas 10 pontos de uma agenda muito maior. Mas o suficiente para mostrar que o Brasil está flertando perigosamente com o autoritarismo.