Mesmo ainda sem qualquer definição da chapa majoritária, a disputa proporcional começa a mexer com os caciques da política alagoana. O PTB do senador Fernando Collor, por exemplo, está montando um palanque vale tudo para enfrentar uma candidatura solo que sinaliza mais de uma vertente, levando-se em conta um possível enfrentamento que poderá ter com a dupla de irmãos siameses Renan Calheiros e Teotonio Vilela.
Nos bastidores, Collor se fortaleceu muito na área de comunicação, com profissionais escolhidos entre os melhores de uma geração de jornalistas que são na verdade formadores de opinião. O governador Teotonio Vilela reconhece bem o peso do adversário na mídia tradicional e na rede social, com disparo de torpedos que deixam o tucano atordoado.
Mas a mídia, por mais eficiente que seja trabalhada, não resolve tudo em uma eleição. E Collor sabe disso. Ele entende que precisa formar um palanque forte. Em Arapiraca, a prefeita trabalhista Célia Rocha não vem sendo bem avaliada nos seus primeiros cinco meses de administração. Por isso, o senador agiu rápido criando um fato que é a paixão do povo de Arapiraca e do seu entorno: o ASA Gigante.
Collor segue o exemplo de Renan, que há 16 anos, quando a prefeita Célia era tucana e dizia ser Teotonio o melhor senador para Arapiraca, no confronto direto com Renan, o peemedebista partiu para o tudo ou nada, dando total apoio ao ASA. Conseguiu, com o empresário Antônio Ermírio de Moraes, cimento para ampliar o estádio fumeirão, e com Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF, colocar o ASA na Copa Brasil, levando o time do interior de Alagoas a enfrentar grandes clubes, tendo, inclusive, eliminando o Palmeiras, há 11 anos.
Agora, reeditando a estratégia vitoriosa de Renan, atual presidente do Senado Federal, Collor conseguiu o patrocínio da Caixa Economica para o ASA, um importante gol que o senador petebista marca para consolidar sua força política junto aos arapiraquenses.
Na proporcional, também em Arapiraca, Collortenta alavancar o seu partido colocando o empresário Marcelino Alexandre como candidato a deputado federal pelo PTB. Marcelino, que ajudou na campanha do tucano Rogério Teófilopara prefeito contra Celia, tinha apalavradocom o governador Teotonio, na época, que disputaria pelo PSDB.Um ano depois, o seu rumo mudou de direção, optando pela sigla de Collor.
Outra beliscada de Collor na turma do Teo é fazer um convite ao ex-presidente da OAB-Al, Omar Coelho, para trocar o DEM do vice-governador Thomaz Nonô pelo PTB. É mais uma tentativa do senador trabalhista desarticular a turma tucana.
Outro sonho de consumo de Collor, que estaria em sua agenda, é uma conversa com o professor Alexandre Fleming, que deixou o PSOL e está sendo assediado pelo PRTB de Adeilson Bezerra, onde deve ancorar o ex-prefeito de Maceió, Cicero Almeida.
A guerra das estrelas nos bastidores da politica de Alagoas começa a esquentar o tamborim. O senador Collor não perde tempo na armação de uma poderosa trincheira, já que o senador Renan Calheiros vem costurando bem a sua chapa proporcional para federal e estadual. Quanto ao Teotonio, também pode ficar muito fragilizado com a saída de dois potenciais candidatos a federal: os tucanos Alexandre Toledo e InácioLoiola.
É bom não se esquecer de vista o mais collorido dos tucanos – João Caldas –, que anda insatisfeito com o seu rumo político desde que foi deixado para trás quando teve chance de assumir a vaga deixada pelo Rui Palmeira na Câmara dos Deputados. A promessa de que poderia fazer parte do secretariado de Teo também não vingou.
O filho de JC, o jovem JHC, já está seguindo os caminhos de Collor e se constituindo num jarro de flor na ornamentação política da caminhada do senador em busca da reeleição.
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