“O governador de Alagoas prometeu, m campanha, contratar mil policiais por ano, mas não realizou concurso desde 2007. Estamos diante de um caso de estelionato político, porque a população acreditou na palavra de um postulante ao Governo que não a honrou. E palavra de palanque tem que ser palavra de governo”.
Esse foi o tom do pronunciamento do senador Fernando Collor, na tarde desta quarta-feira, no Senado Federal, sobre a situação da violência em Alagoas e os fatores que contribuem para o seu crescimento. “Tenho trazido, em várias oportunidades, as mazelas administrativas do governo de Alagoas. São ações e omissões que revelam um cenário preocupante, em alguns casos, desesperador. Temos problemas crônicos que se agravam no Estado, onde a população sofre também pela letargia do atual governador”, destacou.
O foco do discurso do senador alagoano foram as mais recentes notícias sobre o crescimento do número de homicídios no Estado, apesar do apoio que Alagoas tem recebido do governo federal, por meio do Plano Brasil mais Seguro. Durante o mês de março foram 207 assassinatos, um número recorde em 2013, e maior que o mesmo período de 2012.
Collor destacou que em outros Estados, onde o Brasil Mais Seguro também foi implantado, foi registrada queda nos números da violência, a exceção de Alagoas, e culpa o governo estadual por essa situação. “O governador não está fazendo o dever de casa. Alagoas continua liderando o triste ranking do Estado da Federação onde mais se assassina pessoas no Brasil, Maceió é considerada a cidade mais violenta”. Observou
Collor citou manifestações reincidentes de entidades de classe - como o Sindicato dos Policiais Civis, Associação dos Delegados e associações militares – e até do presidente do Conselho Estado de Segurança, juiz Maurício Breda, que mostram a insustentabilidade do programa Brasil Mais Seguro, enquanto não forem corrigidas falhas como a falta de efetivo policia; de estrutura em bases da Polícia Comunitária; e de políticas paralelas, de saúde, educação, esporte e lazer, como estratégias de combate à violência.
Ele também citou o vexame imposto a familiares de 180 mortos, que foram sepultados sem atestado de óbito, “porque o governador deixou que o Instituto Médico Legal chegasse à falência”, e criticou Vilela por ter extinguido a Secretaria de Esportes e Lazer, que deveria estar ativa e promovendo ações voltadas para os jovens e adolescentes de Alagoas, com objetivo de mantê-los longe da criminalidade.
Senador lança três desafios para Vilela
Na avaliação de Collor, o governo alagoano precisa colocar mais policiais nas ruas, mas com a clareza de que isto, apenas, não basta para estancar o movimento ascendente da violência. Ele lançou desafios para o governador Teotônio Vilela cumprir, no sentido de dotar o Estado de um conjunto de ações estratégicas para lutar contra essa chaga social:
Primeiro, a recriação da Secretaria de Esportes e Lazer, dando a ela o peso que a infância, a adolescência e a juventude precisam, para não enveredar pelo caminho do crime. “É preciso criar e remeter ao Ministério do Esporte os projetos necessários ao fomento do esporte comunitário nos bairros de Maceió e nas cidades do interior. A bancada alagoana no Congresso Nacional não deixará de contribuir com ações que venham a fortalecer essa Secretaria, extinta em 2007, por birra do atual Governador com seu antecessor”.
O segundo, é a retomada imediata do diálogo com os médicos e demais profissionais de saúde, pacificando a relação com esses servidores e valorizando- os, para garantir o atendimento de qualidade à população. “O Hospital Geral do Estado está em situação de penúria, os médicos estão em greve, a reivindicação é justa, mas o governador prefere investir na judicialização da relação com o Sindicato dos Médicos.
Por fim, a abertura do diálogo, também, com os trabalhadores da Educação. “O governador permite que seus auxiliares agravem a relação com a categoria. Até o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) já foi usado para conter manifestação do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, numa reação intolerante e desproporcional, num Estado onde o governo não consegue concluir a reforma das escolas; numa gestão onde já houve perda de ano letivo”.
Por fim, o senador classificou como “uma lástima” a atual administração estadual, tanto no aspecto do planejamento, quanto no da condução da máquina administrativa, e declarou seu apoio incondicional às categorias profissionais e aos alagoanos nas lutas por segurança mais efetiva; por saúde pública de qualidade; e por educação eficiente.
E apelou por mais sensibilidade social, acuidade humana e competência administrativa do governador Vilela.
Reconhecimento
O teor e a veemência do pronunciamento do senador Collor foi elogiado inclusive pelo vice-presidente do Senado Federal, o petista Jorge Viana (AC), que presidiu a sessão desta quarta-feira e o parabenizou publicamente, usando o microfone da Mesa Diretora.
