Que o pastor-deputado Marco Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados já é pauta nas mais diversas rodas de conversa, bem como nos mais variados veículos de comunicação, não é novidade para ninguém.

Que o sr. Deputado se vale de preceitos religiosos e morais para defender seu preconceito e sua defesa exacerbada ao que chama de família em detrimento do que nomeia de homossexualismo institucionalizado também não é novidade.

Mas o que deve ser louvado e reverenciado como “boa nova” é o comportamento de muitas pessoas, representantes da sociedade e de grupos discriminados pelo pastor, assumindo sua responsabilidade social e não se calando diante daquilo que discordam e que não “engolem”.

Essas pessoas que saem de suas casas, mobilizam-se, vão até a Câmara dos Deputados, em Brasília, ou saem às ruas para manifestar-se contra o que não concordam e não os representa devem ser respeitadas, a postura que adotam, inclusive, deveria voltar a inspirar comportamentos sociais como quando jovens foram às ruas pedir “Diretas Já” e impeachment do ex-presidente Collor.

Em vez disso o que se vê são sessões sendo fechadas, trabalhos da citada Comissão sendo interrompidos e a atividade legislativa ficando prejudicada. Antes ela que os direitos humanos, concordo!

Triste mesmo é a cara de feliz de Feliciano, que jamais imaginou tanta visibilidade quando resolveu assumir a Comissão que “parece” não interessar nenhum outro grupo partidário, sendo relegado ao pequeno PSC. Ou teria tanto interesse que resolveram entregar à alguém que seria capaz de roubar todas as atenções da mídia e da população para lado bem distante do presidente do Senado ou dos “mensaleiros” recém-condenados.

O Partido Social Cristão que tem como lema “o ser humano em primeiro lugar” aparentemente tem ideias contraditórias sobre quem seria o SER HUMANO, visto que são muitos os que não são representados por Feliciano e clamam por seu afastamento, mas o partido prefere manter Feliciano e até defendê-lo em seu posto, com todas as suas opiniões discriminatórias e preconceituosas. Não que eu ache que ele não merece defesa, merece, só acho que não há, mas acho mais ainda que o anseio da população não deve ser ignorado como irrelevante, como se Feliciano fosse um SER HUMANO melhor que os demais.

O PSC possui dezenove deputados federais eleitos, sendo dois pastores e outros quatro ligados a igrejas evangélicas – administrando, ministrando ou cantando.

E Feliciano não me representa, também não representa muita gente, e sequer representa as conquistas e as mudanças que o século XXI trouxe para a sociedade, mas representa uma enorme fatia de brasileiros que se prendem às regras patriarcais de um passado que se pretende superado, brasileiros que não admitem o amor livre e respeitoso, generalizando homossexuais, negros e mulheres independentes como subvertidos num mundo de regras morais e imutáveis.

Liberdade não é para ser discutida, é para ser respeitada! Homens, mulheres, negros, brancos, índios, amarelos, devem ser respeitados e ter seus direitos resguardados, todos eles. A Constituição Federal do Brasil é nossa maior proteção e nela podemos encontrar as balizes para viver bem em sociedade não sendo necessária a opressão de direitos de quaisquer grupos.

Homem que case com homem, mulher com mulher, não faz qualquer diferença no direito de qualquer outra pessoa. Por que tanta discriminação? Casamento, adoção, pensões previdenciárias, são todos direitos civis inerentes aos cidadãos. Preenchendo os requisitos legais não há que se falar em limitações por conta do sexo dos envolvidos. É tudo muito simples e muito claro, onde há amor não há perversão.

E por falar em perversão, esta pode ser encontrada em qualquer lugar. Entre amigos e entre familiares. Quantos pais, avós, tios, irmãos não são presos por violarem filhos, netos, sobrinhos, avós? Não há qualquer relação entre preferência sexual e adoção de comportamento reprovável.

Aliás, quando se fala em reprovação, do que falamos? Quem reprova? A sociedade? Pois esta está mais que madura para o amor, amor livre e responsável, amor reconhecido e aprovado, amor que só pode ser medido pelo próprio amor.

Quanto aos evangélicos, meu respeito. Mas pregação com discriminação é, no mínimo, contraditório. Cristo trouxe a mensagem do amor e não da punição, não da danação. Aliás, essa Igreja, essa religião e esses dogmas, salvo engano, foram sepultados com a Idade Média.