Com um atraso de mais de duas horas, o julgamento do assassinato do professor Paulo Bandeira, que morreu após ser torturado e queimado, em junho de 2003, em Satuba, ainda não começou.

A justiça sorteou 25 pessoas para compor o júri, porém só 16 compareceram ao auditório do Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, na tarde desta segunda-feira (18). A ausência dos jurados culminou na formação de um novo conselho formado por seis homens e uma mulher.

Os réus

Adalberon de Morais Barros, acusado de autoria intelectual, quando do crime, acontecido em 2 de julho de 2003, ocupava o cargo de prefeito de Satuba. Na carta deixada pela vítima existia a denúncia de desvio de recursos oriundos do Fundeb pelo gestor do município. A esposa do professor chegou a declarar em juízo que estaria recebendo ameaças do então prefeito.

Sob a acusação de autoria material estão Geraldo Augusto Santos da Silva e Ananias Oliveira Lima que eram responsáveis pela segurança particular do ex-prefeito Adalberon Morais e de seu filho. Denúncias apontam ambos como os executores.

Considerado um ‘homem’ da confiança do prefeito, Marcelo José dos Santos, teria ido à escola onde trabalhava a vítima a fim de verificar os horários de trabalho para melhor arquitetar o plano.

O crime

Relatórios apontam que o professor Paulo Bandeira teria sumido logo após ir à sede da Prefeitura de Satuba. Depois de ficar desaparecido por dois dias, o seu corpo foi encontrado carbonizado, num local de difícil acesso, nas proximidades da cidade.

A vítima estava carbonizada e foi encontrada dentro de seu carro, um veículo Gol, com os membros inferiores, tórax e pescoço imobilizados por correntes. O corpo só pode ser reconhecido após exame de DNA.

Após relatar a denúncia do mal uso dos recursos do Fundeb pelo gestor da municipalidade, a vítima teria confessado seu temor a sua esposa e ainda deixado uma carta e uma gravação de áudio.