A Convenção do PMDB, em Brasília, neste sábado, se transformou em um grande palanque eleitoral. PMDB e PT formalizaram um pacto de coalizão para as eleições de 2014. A presidente Dilma Rousseff contará com o vice, Michel Temer, na chapa para as próximas eleições.
Durante discurso, de mais de 40 minutos, Dilma não poupou elogios, e insistentes, à coalizão entre os dois partidos, que se estenderá até o próximo pleito. Aliás, a presidente foi toda elogios não só a Temer, como também aos caciques do PMDB, dos atuais, entre eles o senador José Sarney, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, mas também importantes personagens da história do partido, como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotonio Vilela, entre outros. “Vida longa a nossa aliança”, resumiu a presidente.
Dilma aproveitou para novamente criticar os que ela chamou de “mercadores do pessimismo”, acrescentando que irão perder mais uma vez, “aqueles que apostam no fracasso do Brasil irão se equivocar”. Em relação à crise provocada com o pífio desempenho obtido com o Produto Interno Bruto (PIB).
O vice-presidente Michel Temer agradeceu o “carinho e o reconhecimento” por parte da presidente Dilma, pontuando que a “parceria é uma coisa inafastável”.
Carta de Lula
O presidente do PT, Rui Falcão, leu uma carta de homenagem à convenção do PMDB do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pode comparecer ao evento.
“O PMDB realiza sua convenção num momento muito especial da vida política brasileira. Permitam-me me dirigir uma breve mensagem aos companheiros e companheiras reunidos nesse encontro”, enalteceu Lula.
“Quero destacar, antes de mais nada, o importante papel que o PMDB desempenhou na superação do regime autoritário e democracia brasileira. Nós do PT, tivemos a honra de participar com o PMDB de Ulysses Guimarães das memoráveis campanhas pelas Diretas-já e pela convocação da Assembleia Nacional Constituinte. Naqueles anos em que levantar as bandeiras da democracia e dos Direitos Humanos era considerado uma afronta à segurança nacional”, escreveu.
Ao longo do texto, Lula enfatizou que no tempos democráticos o PMDB e o PT tiveram posturas conflitantes, “mas, sempre nos respeitamos”. E emendou: “Compreendemos que eram caminhos distintos para alcançar objetivos semelhantes”.
A partir de 2006, Lula afirmou no texto que foi “constituída uma sólida coalizão de governo para impulsionar as mudanças econômicas e sociais que o Brasil tanto almejava. Desde então o PT o PMDB e os partidos aliados tem promovido uma verdadeira revolução democrática em nosso país. Juntos, elaboramos e executamos políticas públicas que libertaram dezenas de milhões de brasileiros da extrema pobreza (...), juntos fizemos o País voltar a crescer com geração de emprego, distribuição de renda e inclusão social.”
Lula lembrou a participação do PMDB no governo dele e elogiou Michel Temer. “No meu governo o PMDB deu uma contribuição fundamental. No governo da presidenta Dilma, estreitamos ainda mais nossas relaçãos em torno de um projeto compartilhado de projeto nacional e que o vice presidente Michel Temer tem cumprido um papel, particularmente, significativo”, ressaltou.
“Pujança”
O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, em discurso entusiasmado, disse que o “PMDB dá uma demonstração de força, coerência e pujança”.
Renan afirmou ainda que o PMDB irá garantir a governabilidade. “Em todos os momentos, nas crises ou não, (o PMDB) sempre foi o pilar da democracia”, frisou. E tem como missão fazer o Congresso se aproximar mais da população.
Ao tomar a palavra, o senador José Sarney (PMDB-AP) afirmou que o PMDB muito colaborou na área social do País. Afirmou que o PMDB é a matriz de grandes partidos políticos. Também elogiou o desempenho no partido em relação às conquistas do povo por intermédio da participação efetiva da legenda.
Tais como, o vale transporte, seguro desemprego, Programa Farmácia Básica, a questão da casa própria que não pode mais ser penhorada, além “do ponta-pé do programa contra a fome do Brasil, com a distribuição do Programa do Leite, com 8.600 milhões de litros distribuídos às crianças pobres do País”.
Logo após o final da primeira parte da Convenção, o deputado Renan Filho (PMDB-AL) concedeu uma entrevista a este blog. Ele interpretou a presença de Dilma na convenção do PMDB como uma demonstração clara de que “o PMDB, junto com o PT, tem imprimido no governo federal um ritmo que tem retirado milhões de brasileiros da miséria, gerado emprego, melhorado a qualidade de vida do nosso povo. A vinda da presidente é a sinalização clara de que o PT e o PMDB querem continuar nesse ritmo, em que o País melhora, em que as oportunidades aparecem”.
E Renan Filho concluiu: “Pensando nessa aliança, é pensar maior, é pensar num Brasil melhor. É pensar no povo brasileiro.”
Candidatura própria
O senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE), afirmou que o grande desafio do PMDB é fazer o país avançar economicamente. “E aprovarmos o Orçamento da União 2013, o FPE, discutirmos a questão do ICMs, votarmos os royalties de petróleo”, isso a curto prazo.
Em relação às eleições, Eunício disse que o PMDB deverá se preparar, a longo prazo, para o pleito de 2014. “Queremos fazer maior número de governadores, manter a chapa com a presidente Dilma. E preparar uma candidatura própria em 2018”, revelou.
Não faltaram as claques do Maranhão, do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. “Ole, ole, olá, Dilma, Dilma.” “Sarney, guerreiro do povo brasileiro”, essa entoada pela claque do Maranhão, a mais entusiasmada. Outra palavra de ordem manifestada pela claque, empunhando bandeiras do PMDB: “Renan é povo, é PMDB.”
Estiveram presentes ao evento, os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Maranhão, Roseana Sarney, além do presidente do PMDB, Valdir Raupp, entre outros prefeitos, deputados federais e convencionais da legenda.







