A notícia de que um padre, Emílson Soares Corrêa, 52 anos, de São Gonçalo e Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, teria abusado de duas meninas, agitou a opinião pública nos últimos dias. As imagens no vídeo são claras, evidentes e o acusado não as nega. Padre Emílson usou da máxima dos que rompem o celibato clerical ao dizer “que a carne é fraca”, e se defendeu afirmando que a relação foi consensual, com apenas uma das filhas de Ubiratan Homsi, que na época já teria 15 anos. O caso veio à tona depois que Ubiratan, segundo ele, consensualmente com a mãe da jovem (eles são separados), disse para a filha gravar os atos para obter provas.
As filhas de Ubiratan eram coroinhas do padre, e ele teria abusado delas numa banheira, em frente ao quadro da Santa Ceia. O consciente coletivo indaga: como um pai, sabendo que a filha teria sido violentada, a expõe novamente às cenas que repudiou?
“Se eu fosse só acusar, neste País, sem provas, você não vai para lugar nenhum”, rebate Ubiratan, que ainda tem sob os ombros um indiciamento, via Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), por ter supostamente cobrado dinheiro e uma casa para não revelar o vídeo para a imprensa. Já o padre foi indiciado por estupro de vulnerável.
O pai garante, porém, que tem mais material em vídeo que comprova não só a sua inocência, como traz evidências novas ao caso. Por enquanto, não quer revelar o conteúdo. Explica, no entanto, que já está nas mãos da delegada Martha Dominguez, à frente da investigação. “É revoltante”, diz, ao contestar o indiciamento por extorsão.
“Eu sou um pai, não sou um lixo. Um pai que bota a filha para ganhar dinheiro é um grande filho da puta”, esbraveja ainda, para logo responder que não só não pediu propina, como fez questão da prisão de Emílson e de apoio psicológico para as filhas. Segundo ele, sua promessa de que o caso seria levado à imprensa obrigou a uma interferência da Arquidiocese, pedindo que ele não fosse a público.
Ubiratan diz que hoje vive à base de calmantes, perdeu trabalho, que os vizinhos olham torto para ele, e se diz perseguido. Mas diz que não se arrepende de nada. Aliás, apenas de um ato que julgou ser uma covardia. “Bati nela”, confessa. “Fui covarde. Depois é que eu me dei conta que ela tinha caído nas mãos de um cara que tem 56 anos, oferecendo mundos e fundos, que mandava ela contar o dinheiro das doações, que dava doces, joias, carros e tudo mais. Dizendo que daria uma vida confortável para ela”, diz, fumando compulsivamente.









