Em entrevista ao Programa “Ecclesia”, transmitido por uma das maiores emissoras católicas do Brasil – a Rede Século 21, o Bispo Alagoano de Paulo Jacinto, Dom José Francisco falou sobre a renúncia do Sumo Pontífice: “A renuncia do Santo Padre provocou em mim, particularmente, um sentimento de surpresa – de choque, mas também, ao mesmo tempo, um grande respeito e profunda admiração.
Respeito porque como diz o Direito Canônico (Conjunto de normas a serem observadas por leigos e religiosos da Igreja Católica) no Cânon 187: ‘Qualquer um, cônscio de si, pode renunciar a um ofício eclesiástico por justa causa’.
E a causa que Sua Santidade apresentou foi muito bem colocada: ‘(...) bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma’ e um pouco antes, ele disse: ‘Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino’.
Nós temos que respeitar essa decisão única de Sua Santidade, cujas motivações só Deus conhece. Não nos compete fazer ilações gratuitas, nem insinuar, supor, tergiversar que essa renúncia se deveu a pressões, a detenções, a intrigas a isto e aquilo outro; mas fiquemos naquilo que o Santo Padre afirmou, ou seja: ‘as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino’.
E um sentimento também, em consequência disto, de indizível admiração por Sua Santidade, primeiro pela sua vida – pelo seu vasto, pelo seu belíssimo contributo à Igreja e à humanidade e também pelo ato de humildade que nos faz lembrar o evangelho de São João 3, 30 – palavras de São João Batista: ‘
Importa que Ele cresça e eu diminua’. Um ato de grandeza, grandeza que só reconhece quem tem fé, só reconhece quem contempla Jesus que se rebaixou e se fez obediente até a morte de cruz e se aniquilou.
Foi um ato de aniquilamento de Sua Santidade que compreendeu e isto que o torna – e a história vai reconhecer isso e nós já reconhecemos agora, a grandeza de um homem que sabe reconhecer que é hora de entregar a Nau/barca de Pedro para que ele possa conduzi-la e já dei o meu contributo, como diz São Paulo: terminei a minha carreira, guardei a minha fé como Bispo de Roma, mas ainda peregrino nesta terra continuarei a dar o meu contributo numa vida de oração e de silêncio em favor da Igreja.
É importante compreender que Bento XVI renunciou ao ofício de papa, ele não renunciou a Jesus, ele não renunciou a Igreja – continua na igreja, continua se oferecendo, se mortificando e se doando a igreja até o fim da vida. Recluso a partir do dia 28 de fevereiro, mas na Igreja e com a Igreja.
Quero dizer a todos os católicos que estão um pouco tristes com a renúncia do Papa: permaneçam na igreja como ele.
A fé tem como objeto Jesus Cristo - Heb 11, 1: ‘A Fé é a possa antecipada do que não se vê’. Esta é a fé da Igreja, está é a fé dos 265 papas, esta é a fé de S. S. Bento XVI.
A igreja passará por um período de vacância a partir do dia 28, mas como todos os outros períodos de vacância no passado, a Igreja continuará sendo assistida pelo Espírito Santo.
É o santo Espírito que conduzirá os 118 cardeais eleitores que entrarão na capela Sistina para escolher o sucessor de Bento XVI. Olhar para Jesus na Igreja e com a Igreja, viver o seguimento de Jesus na nossa fé católica – nós professamos que a declaração de Mateus 16; 18 foi pronunciada em favor dos fiéis: ‘Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei A MINHA IGREJA (pronome possessivo feminino singular) Nós católicos respeitamos a fé de todos os cristãos das demais denominações, mas acreditamos firmemente que esta palavra se refere a Igreja Católica Apostólica Romana, A Igreja de Jesus Cristo, A Igreja de Bento XVI, A Igreja de 2000 anos de história” finalizou Dom José Francisco.
colaboração especial, para o Blog do Bernardino, de:José Hugo Rocha
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