As representações que tramitam no Senado pedindo o “impeachment” do procurador geral da República, Roberto Gurgel , por supostamente ter cometido crime de prevaricação e improbidade administrativa.
As representações foram protocoladas pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) e caso venham a ser aceitas o procurador-geral será afastado do seu cargo.
Bateu, levouu de Collor
O senador Fernando Collor (PTB-AL) partiu na semana passada para uma nova ofensiva direta contra Gurgel.
Em 2012, Collor tinha ido à tribuna do Senado para acusar o procurador-geral de " chantagista" e " prevaricador". A nova denúncia de Collor, – envolve a aquisição pela Procuradoria de 1.226 tablets por R$ 3,9 milhões, numa licitação aberta às 12h30 de 31 de dezembro de 2012. Embora a compra tenha sido realizada por pregão eletrônico, um aspecto básico chama a atenção – o preço.
A procuradoria-geral pagou R$ 2.398 pelo tablet, enquanto outras empresas concorrentes ofereciam o preço de R$ 1.996.
Em grandes lojas da capital federal, é possível encontrar equipamentos que atendem às mesmas especificações do edital, pelo preço de R$ 2.231.
Pregões recentes, na Universidade Federal de Goiás e da Funart, para compra de tablets com a mesma configuração registraram preço de R$ 2.049 e R$ 2.069.
Outro aspecto é que a empresa vitoriosa, a Versátil Informática, de Brasília, terminou a licitação em sexto lugar. Acabou vencedora porque as cinco empresas que estavam à sua frente foram desclassificadas.
Em seu recurso contra a licitação, a "Criar Êxitos," do Mato Grosso do Sul, que terminou em primeiro e perdeu o negócio, acusou por escrito: "Parece que o pregoeiro e a empresa vencedora estão mancomunados".
Entre aliados de Collor, a versão é menos trivial. Carrega a malícia e o veneno típicos do político alagoano notabilizado pelo estilo "bateu, levou", adotado ao longo de sua trajetória política. Ele acusa Gurgel ter feito uma troca de favores com o ex-senador Demóstenes Torres para ser reconduzido a um segundo mandato no Ministério Público, em agosto de 2011.
A versão é que, naquele momento, em posição frágil entre vários integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, ele pediu apoio político a vários senadores, entre os quais Demóstenes, ex-presidente da própria CCJ e então personagem influente no Senado.
Em troca desse apoio, insinuam auxiliares de Collor, ele arquivou os dados da Operação Vega, que envolviam Demóstenes com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Procurado, Demóstenes não quis se pronunciar. "Ele fez chantagem a um senador da Republica", diz Collor.
O futuro das acusações contra Gurgel é obscuro e parece pouco provável que, com base apenas nas denúncias já conhecidas, a Mesa Diretora da Casa, que tem a responsabilidade de aceitar uma investigação dessa natureza, aceite alguma acusação contra ele.
No entanto, os aliados de Collor recordam que, conforme o artigo 52 da Constituição, cabe privativamente ao Senado processar e julgar crimes de responsabilidade do procurador-geral da República. Como se vê, Collor e sua turma não parecem estar de brincadeira quando ameaçam retaliar o chefe do Ministério Público.
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