Vereador por vários mandatos, Galba Novaes (PRB) já foi primeiro-secretário da Casa de Mário Guimarães e agora se despede do cargo de vereador como presidente da Câmara Municipal de Maceió.

Novaes deixa o Legislativo no dia 31 de dezembro de 2012 e deve ficar pelo menos dois anos sem mandado legislativo: 2013 e 2014. Se vai participar das próximas eleições, ainda é uma incógnita.

Nos bastidores políticos, Galba Novaes - que abriu mão da eleição para concorrer ao cargo de prefeito de Maceió e acabou como o terceiro mais votado - é apontado como forte candidato a uma das cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Mas, o presidente afirma ainda ter olhos voltados apenas para o fim da gestão.

CadaMinuto - Como o senhor avalia este biênio em que esteve à frente da Casa de Mário Guimarães na condição de presidente?

Galba Novaes - Esta foi uma administração diferente. Implantamos muitas novidades na Câmara Municipal de Maceió, melhorias administrativas, licitações que foram realizadas para todos os gastos, a implantação da Escola Legislativa. Não recebemos nenhuma notificação do Ministério Público em relação às ações desta gestão. Agimos dentro da legalidade e os vereadores que chegarem poderão perceber isto.

CM - O senhor deixa o mandato agora e já há planos para 2014?

GN - Não preciso de política, não dependo da política. Não estou aqui fazendo projeto para ser candidato a deputado federal. Quem pensar isto que tire o cavalinho da chuva. Não estou aqui fazendo projeto para ser candidato a deputado. Já recebi convite do PRB para assumir cargo federal e me dei o luxo de pensar. Teremos reuniões. Recebi convite para ser diretor-geral de entidades sérias aqui em Alagoas, o que me orgulhou saber. É bom para a gente, mas é bom para a Câmara também este reconhecimento.

CM - O senhor administrou a Câmara com um duodécimo considerável e ainda devolveu dinheiro ao Executivo, como deve devolver este ano também. Não seria o caso da Câmara abrir mão de um aumento de duodécimo no futuro?

GN - Assumi o mandato de presidente quando a prefeitura teve que mandar R$ 4,7 milhões para fechar as contas. Na minha gestão, eu recebi R$ 45 milhões de duodécimo e devolvi R$ 8 milhões Ou seja, administrei o ano passado com R$ 37 milhões. Não mandamos ofício pedindo nada de incremento, nem em 2011, nem em 2012. A Câmara Municipal não tinha notebook, não tinha licitações, não tinha internet, não tinha licitação de publicidade. Não tinha nada. Quando vieram estas licitações, vieram também os gastos. É isto que está às claras, com transparência. Tudo é feito dentro da legalidade. Se Câmara tivesse direito a R$ 100 milhões e fosse legal, iria buscar, e aí devolveria R$ 50 milhões, R$ 60 milhões. É constitucional. Não é meu direito, então vou buscar. Tudo meu é muito claro. A Prefeitura não faz favor nenhum quando repassar o duodécimo é direito. Paguei todos os salários dos servidores em dia, concedemos aumentos e pudemos inovar.

CM - Neste período, o senhor garante, então, que a Câmara sempre agiu dentro da legalidade?

GN - Eu me responsabilizo por todos os atos da Mesa Diretora porque não fizemos nada errado. A minha obrigação eu fiz. Encerro este mandato desta forma. Ninguém nunca será enganado por mim.

CM - Como o senhor analisa este final de gestão então e o que esperar da próxima Câmara?

GN - A Câmara tem duas histórias: uma antes de Galba Novaes e outra depois. Não preciso ouvir elogio de ninguém, nem ouvir o que eu fiz de ninguém. Eu sei o que fiz e o que fiz foi a minha obrigação. Agora, com a nova legislatura é que vão sentir isto.

Tenho certeza que pela efervescência dessa juventude que está chegando vai melhorar ainda mais a Casa. Não é porque eles sejam melhor do que a gente, é porque é normal. Traz a disposição, traz a novidade, o que é natural do ser humano. Será melhor do que a gente. Eu só tenho a agradecer. Vereadores que me ajudaram muito. Heloísa Helena me ajudou muito com as críticas construtivas, nunca destrutivas.

Quero conviver com ela um milhão de anos, porque sei como ela vem. O que não quero é conviver com aquele que está perto e pode lhe apunhalar. Tivemos divergências com vereadores, mas é natural os vários pensamentos, mas sempre com convivência saudável e respeitosa.