O ser humano é interessante, tem o hábito de procurar culpados após as grandes tragédias. Passa a imaginar o que poderia ser mudado para evitar que a mesma ocorresse, busca entender o que deu errado, como isto foi acontecer, principalmente, de quem foi a culpa?

Os mais simplistas poderiam falar em destino, fatalidade ou vontade divina. Mas se formos buscar respostas coerentes, veremos que toda grande tragédia pode ser presumível, ou até mesmo evitada. A tragédia a qual me refiro foi a explosão ocorrida na sede da DEIC ocasionando a morte de uma de nossas companheira.

Temos que ter sempre em mente que os números da tragédia poderiam ser bem maiores, se for levar em consideração o horário que a mesma ocorreu. Imaginem se explosão ocorresse em um horário comercial, onde circulam um número elevado de policiais diariamente pelas dependências da Delegacia, sem contar a população em geral que circula normalmente na região atingida.

Gostaria de lembrar, que antes de iniciarmos uma “caça as bruxas” devemos principalmente saber os motivos, para que no futuro fatalidades como esta não voltem a ocorrer, para que vidas inocentes não sejam ceifadas estupidamente. Não me entendam mal, achando que não se deve responsabilizar aqueles que de forma direta ou indireta contribuíram para o desenrolar da tragédia, porem não vamos sair condenando ninguém antes da apuração total dos fatos.

Hoje, vemos uma enxurrada de acusações, onde aparece como principal culpado a figura do Estado, não vamos ser levianos ou hipócritas, sempre achando que quando ocorre um fato como este o culpado sempre é o gestor publico.

Antes de tudo temos que nos fazer alguns questionamentos: Há quanto tempo a DEIC funciona naquele local? Há quanto tempo se vem armazenando artefatos explosivos ali? Quantos Diretores que por ali passaram manifestaram oficialmente sua preocupação a seus superiores diretos quanto à situação de risco eminente?

Será que os próprios policiais ali lotados procuraram alguma vez oficialmente o SINDPOL para manifestarem preocupação? Será que o próprio SINDPOL alguma vez fez algum relatório oficial, para os Gestores Públicos? Será que nossos Gestores Públicos alguma vez procuraram a autorização junto ao judiciário para que os explosivos ali armazenados fossem transferidos para um local adequado? O Ministério Público, através do GECOC, que foi responsável por uma boa parte da apreensão dos explosivos ali armazenados, demonstrou oficialmente alguma preocupação sobre o destino destas apreensões?

Por isso companheiros antes de sairmos por ai “atirando pedras nos culpados”, devemos rever nossos valores e encaramos a verdade que nós também somos os culpados desta tragédia, por nos deixarmos omitir no nosso dia a dia, sempre achando que não temos o dever de assumirmos responsabilidades. Na vida é mais fácil procurar culpados que assumir culpas.


Dênio Barros Cavalcante – Agente de Policia